
O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, ainda não sabe se irá se candidatar nas eleições previstas para o final deste ano no Parque São Jorge. O atual mandatário vai aguardar o processo eleitoral interno para tomar uma decisão definitiva sobre o tema.
Para entender se possui legitimidade para disputar um novo mandato à frente do Timão, existe atualmente um debate sobre a interpretação jurídica de sua situação de acordo com o atual Estatuto corinthiano. Cauteloso quanto aos próximos passos, o dirigente destacou que dependerá de um aval oficial e irrevogável dos órgãos de controle interno do clube antes de deflagrar qualquer movimentação de campanha para o próximo triênio.
“Preciso ter certeza de que posso ser candidato. Quem dá essa certeza é a Comissão Eleitoral, formada há 15 dias, e estamos aguardando a documentação para eu entrar com o pedido. Se a resposta deles for ‘não’, eu não farei campanha”, disse em entrevista à ESPN.
O documento estatutário versa, no parágrafo 2º de seu artigo 103, que a reeleição é proibida para a presidência do Corinthians. No entanto, há uma ressalva no parágrafo 4º: quando o presidente vigente preencheu o cargo devido a uma vacância, ou seja, a saída antecipada de outro presidente, então o dirigente poderá se candidatar à reeleição contanto que tenha ficado até 18 meses no cargo.
É essa ressalva que possui uma divergência de interpretações nos bastidores do Parque São Jorge atualmente. Afinal, o texto não deixa claro se os 18 meses em questão incluem o período em que o presidente ocupou a vacância interinamente ou se contam apenas após a posse do dirigente em definitivo.
A questão é fundamental para Stabile, pois ele ocupou a presidência do Corinthians de forma interina no final de maio do ano passado, sendo eleito pelo Conselho Deliberativo (CD) apenas no início de agosto, ou cerca de dois meses e meio depois. Caso o período como interino seja considerado, então ele estaria impedido de se candidatar nas eleições deste ano no clube.
Gestão, críticas e a articulação de chapas
Enquanto aguarda a definição sobre seu futuro político, a atual administração lida com forte pressão externa por melhorias imediatas, tanto no saneamento das finanças quanto na estabilidade esportiva. Ciente do alto grau de exigência da Fiel, o mandatário reconheceu o peso das cobranças e o desejo geral por soluções rápidas, mas fez questão de valorizar sua postura combativa nos bastidores para reerguer a instituição a médio prazo.
“Ainda tenho muito trabalho a executar. Estou enfrentando os problemas do Corinthians de cara, sem correr, defendendo a instituição com unhas e dentes. Sei das críticas de quem quer resultados imediatos, o que não consigo resolver de bate-pronto, mas estamos trabalhando. Outro dia disseram que o presidente precisa ‘tirar um coelho da cartola’. Quem sabe a gente consegue”, disse.
A incerteza sobre a candidatura de Stabile acaba travando também as articulações para a composição de uma eventual chapa situacionista. Questionado sobre a possível manutenção de Armando Mendonça como seu vice-presidente em uma hipotética campanha, o mandatário tratou a pauta como prematura. Ele ressaltou que o cenário ainda é de especulação midiática e carece de propostas e definições formais para avançar.
“Isso (Armando continuar como vice) não se confirma. A imprensa especula nomes, mas ainda não há certeza. Precisamos verificar quem serão os candidatos de fato, pois até agora ninguém chegou para mim e oficializou nada“, esclareceu.
Como mencionado anteriormente, as tratativas para as eleições do Parque São Jorge ainda estão em estágio inicial, com o Conselho Deliberativo nomeando a Comissão Eleitoral no final de julho.
O grupo será responsável por redigir o regimento eleitoral que irá organizar e conduzir o processo que levará à eleição de 200 membros eleitos do próprio CD, assim como de uma nova chapa composta por um presidente e dois vice-presidentes, com mandato previsto para iniciar em 2027 e terminar em 2029. Os cinco conselheiros nomeados são Dalton Gioia, Edson Geanelli, Marcelo Pestana, Paulo Antônio Barrios Couto e Paulino Tritapepe Neto.
Não há previsão para a publicação do regimento eleitoral por parte da comissão recém-nomeada. Segundo apurou o Meu Timão, a expectativa era de que o documento fosse entregue ao presidente do CD até a terceira semana de agosto, o que ainda não aconteceu. Apenas após a divulgação serão anunciadas a data da eleição, as regras definitivas e o período de campanha.
Blindagem do vestiário
Outro ponto sensível abordado pelo dirigente foi a participação do elenco profissional nas efervescentes discussões políticas do Corinthians. Embora Stabile reconheça a importância e o peso histórico que ídolos do passado tiveram em grandes movimentos sociais do país, a postura adotada por esta gestão é de blindagem total do futebol. A avaliação é que misturar as disputas de bastidores com o ambiente do CT Joaquim Grava gera desculpas e prejudica o rendimento nas competições.
“O atleta é contratado para jogar, pois o coração do clube é o futebol. No passado, na época da mudança de regime no país, eu era associado e participei junto com os jogadores no Bar da Torre, símbolo da democracia no clube. Quando envolve a questão do país, acho que vale a pena“, pontuou.
“O problema é o envolvimento na política do dia a dia do clube. Não dá para o jogador chutar a bola na trave e, no dia seguinte, dizer que a política interna atrapalha. O futebol é muito sensível, o jogador tem que focar apenas em jogar. Foi com a cabeça focada no campo que, mesmo com toda a turbulência política, fomos campeões da Copa do Brasil no ano passado, ganhamos mais um título este ano e podem esperar: tenho certeza absoluta de que vamos buscar mais uma taça ainda neste ano”, finalizou.






