
Na noite da última quinta-feira, o Corinthians empatou sem gols com a equipe do Santos, pelo Campeonato Brasileiro Sub-20. O técnico William Batista avaliou o desempenho da equipe e destacou o equilíbrio do confronto, marcado por poucas oportunidades claras de gol.
Ao analisar o cenário do jogo, o treinador ressaltou os desfalques importantes e a necessidade de rodar o elenco, além de ponderar sobre o resultado diante do contexto da competição.
“São duas equipes que brigam diretamente pelo G8. O Santos é a melhor defesa do campeonato, e nós somos a segunda ou terceira melhor defesa também. Sabíamos que poderia ser um jogo, de fato, com poucas chances. Diante das circunstâncias, dos desfalques com o Nicolas suspenso e o Amorim machucado, tivemos que dar oportunidade a outros jogadores. Pelo contexto como um todo, acho que o empate foi justo. Tivemos uma chance ou outra, algumas pré-chances”, iniciou William à Central do Timão.
Na sequência, William também comentou sobre a dificuldade no último terço do campo e a importância de transformar boas chegadas em finalizações mais efetivas. O técnico também valorizou a atuação coletiva da equipe, especialmente na saída de pressão adversária, e reforçou a importância do resultado para a permanência do Corinthians entre os primeiros colocados.
“O Santos também teve uma. Precisamos refinar um pouco mais o nosso último terço para que, nessas pré-chances que criamos hoje, consigamos finalizar em gol, gerar mais oportunidades e abrir o placar, sair na frente. Pelo contexto geral do campeonato, foi um resultado positivo. Nos mantém dentro do G8. É claro que a nossa ambição é vencer, ainda mais um clássico em casa. Quando estamos no Corinthians, temos que pensar sempre em ganhar”, acrescentou.
“Mas acredito que também temos jogado de uma forma que desenvolve os jogadores, e conseguimos fazer isso. O Santos nos pressionou alto durante quase todo o jogo, e conseguimos superar bem essa pressão e progredir no campo de ataque. Então, considerando o contexto geral, pensando na nossa categoria e na manutenção dentro do G8, foi um placar justo, se posso dizer”, complementou.
William Batista também abordou a sequência de jogos do Corinthians no início do campeonato, destacando as dificuldades impostas pela tabela, com mais partidas fora de casa do que na Fazendinha. O treinador detalhou o impacto dessa alternância de mando de campo no desempenho da equipe e ressaltou a necessidade de adaptação ao cenário.
“A tabela tem sido um pouco complicada para nós neste início de campeonato. Fizemos o primeiro jogo em casa contra o América, depois tivemos dois fora. Voltamos para enfrentar o Fortaleza em casa, saímos novamente para jogar contra o Botafogo e depois retornamos para mais uma partida como mandante. Agora teremos mais dois jogos fora. Ou seja, em oito rodadas, fizemos apenas três partidas em casa, enquanto o restante foi fora. Ainda não tivemos uma sequência de dois jogos como mandantes, mas já enfrentamos duas sequências de dois jogos como visitantes”, explicou.
Fora da Fazendinha, o Corinthians ainda não foi derrotado no torneio nacional. Quando atuou longe da capital paulista, empatou com Botafogo e Bahia, enquanto venceu o Grêmio, ainda no mês de março. O único revés do Timãozinho foi dentro de casa, para o Fortaleza.
“Mesmo assim, a equipe está bem preparada e conseguiu bons resultados fora de casa. Dos nove pontos disputados em casa, somamos quatro, enquanto, dos nove como visitantes, conquistamos cinco. Precisamos estar prontos para jogar em qualquer lugar, em qualquer campo. Em breve começa também o Campeonato Paulista, e o tempo será ainda mais curto”, avaliou.
“Montamos uma logística interessante para Criciúma. O Damiani e a equipe organizaram tudo para viajarmos com dois dias de antecedência: embarcamos na segunda-feira, com o jogo marcado apenas para quarta, e retornamos na quinta. Logo na sequência, já temos o São Paulo. Isso ajuda na recuperação dos jogadores para essa maratona”, completou.
Breve experiência no profissional e influência de Diniz
William Batista também relembrou como foi acionado para assumir interinamente uma atividade com a equipe principal em meio à indefinição sobre a chegada de Fernando Diniz e a demissão de Dorival Júnior.
“O pessoal me ligou no domingo à noite, por volta de meia-noite. Eu estava no Rio, tínhamos acabado de chegar, e me pediram para ir na segunda-feira dar o treino. Cheguei ao CT e encontrei o Paz. Quem me comunicou foi o Damiani, nosso diretor, ainda no hotel, no domingo. Conversei com ele e cheguei por volta das 11h ao CT. Lá, a situação envolvendo o Fernando Diniz ainda estava se desenrolando. Havia a expectativa de que, se ele chegasse, comandaria o jogo; caso contrário, eu assumiria“, relembrou William.
Na sequência, ele comentou a satisfação em participar do processo e relembrou a relação antiga com Diniz, construída ainda no início de sua trajetória como treinador. Posteriormente, destacou a admiração pelo trabalho do novo técnico e avaliou positivamente o momento recente da equipe principal, tanto pelos resultados quanto pelo desempenho.
“Foi importante poder dar o treino e participar daquele momento junto com o grupo. Fiquei muito feliz com a chegada do Diniz. Há dez anos, fiz um estágio com ele, quando eu era treinador do Atibaia e ele estava no Audax. Inclusive, tenho uma foto no Instagram e enviei para ele outro dia, lembrando disso. Naquela época, o Audax vivia um grande momento, mesmo sendo um clube pequeno de São Paulo. Agora, dez anos depois, estamos aqui: ele no profissional e eu no sub-20”, contou.
“É um treinador que admiro muito, tanto pela forma de jogar quanto pela maneira como conduz o grupo. Ele me inspirou ao longo de todos esses anos. Estou feliz com a chegada dele e também com o momento da equipe principal, que conquistou três bons resultados: a vitória na estreia dele na Libertadores, o empate no clássico nas circunstâncias em que ocorreu e a vitória de ontem. Isso nos deixou em uma situação interessante na Libertadores. Fico contente com tudo isso, porque, no fim, quem ganha é o Corinthians”, disse William.
Ao falar sobre sua filosofia de trabalho, William Batista destacou a construção desde a defesa como uma característica marcante de suas equipes ao longo da carreira. O treinador também explicou o processo de implementação desse modelo no Corinthians Sub-20 e a evolução gradual dos jogadores nesse aspecto.
“Ao longo desses anos, minhas equipes sempre procuraram construir desde trás. Foi assim no América Mineiro, no Vasco, no Red Bull e também no próprio América Mineiro no profissional. Aqui demorou um pouco mais, porque tivemos que desenvolver muitas coisas junto com o grupo, e isso exigiu tempo para que os jogadores ganhassem coragem e confiança para executar o que era proposto. O Diniz foi uma inspiração para mim durante todos esses anos, dez, doze anos”, analisou William.
Além disso, reforçou a influência de Fernando Diniz em sua trajetória e a importância de alinhar conceitos entre base e profissional. Por fim, comentou o contato inicial com o treinador e a expectativa de aprofundar a troca de ideias para potencializar o desenvolvimento dos atletas do clube.
“Tive um contato rápido com ele na chegada, trocamos algumas mensagens, mas ainda não houve tempo para uma conversa mais longa. Ele fez três jogos em sete dias. Conversei um pouco mais com o Lucas, que é o analista dele, com quem trabalhei no Vasco. Falamos sobre alguns jogadores, e tenho certeza de que não vão faltar oportunidades para estarmos juntos e conversarmos sobre todos os nossos atletas”, finalizou.
Com o empate, o Corinthians fecha a rodada na oitava colocação, somando nove pontos. Caso tivesse vencido, o Timãozinho poderia ter subido para a quinta posição. A equipe dirigida por William Batista volta a campo na próxima quarta-feira, às 15h, para encarar o Criciúma, no CT do clube catarinense, em duelo válido pela sétima rodada da competição.










