
Na noite deste domingo, o Corinthians foi derrotado pelo Flamengo por 2 a 1, no Maracanã, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. Após a partida, o técnico Fernando Diniz abordou o incômodo momento da equipe na competição, que acaba de amargar a quinta derrota consecutiva. Apesar do retrospecto negativo, o comandante separou o revés deste fim de semana dos tropeços anteriores.
“Ela (sequência) é muito incômoda quando falamos em derrotas seguidas. Mas, nos jogos anteriores em que fomos derrotados, não perdemos jogando mal tecnicamente. Perdemos porque deixamos a desejar no aspecto anímico; foi uma questão mais comportamental, principalmente no setor defensivo. A partida de hoje foi diferente das outras: nossa entrega, nosso comportamento e nosso espírito anímico lembraram muito a torcida do Corinthians: muita luta, muita entrega e acreditando até o final“, iniciou em entrevista coletiva.
O desempenho do Timão ganhou contornos muito mais agressivos a partir dos 20 minutos da etapa final, quando Diniz promoveu alterações cruciais. As saídas de Pedro Milans, Angileri, Charles e Dieguinho para as entradas de Matheuzinho, Matheus Bidu, Breno Bidon e Kaio César, respectivamente, oxigenaram a equipe. A renovação nas peças em campo mudou a dinâmica da partida, gerando elogios do treinador à capacidade de reação de seus comandados.
“Depois, quando colocamos os jogadores mais frescos, acostumados a jogar, começamos a atuar de maneira mais equilibrada contra o Flamengo e até dominamos algumas ações do jogo. Buscamos o empate e qualquer uma das equipes poderia ter feito o segundo gol. Essa sequência (de derrotas) incomoda, mas o que aconteceu em La Plata e o que aconteceu hoje mostram o caminho a seguir. Se jogarmos no Campeonato Brasileiro com essa mesma disposição e a mesma gana de hoje, o cenário é bastante otimista para nós“, complementou.
O desafio de pontuar no Maracanã passou muito pela força do adversário, um aspecto que não foi ignorado por Fernando Diniz. O técnico reconheceu o poderio financeiro e técnico da equipe carioca, destacando o alto nível de exigência do confronto.
“O Flamengo é um time muito qualificado, especificamente o Bruno Henrique, que é um jogador diferenciado, com um poder de decisão enorme — não é à toa que é um dos maiores ídolos da história deles, assim como outros do elenco. É um grupo forte que, pelo poder econômico e por méritos próprios, se reestruturou ao longo dos anos, então é sempre difícil jogar contra eles pela capacidade de nos testar“, disse.
Mesmo saindo de campo sem pontuar, o nível de competitividade apresentado no Rio de Janeiro foi visto como um alento. O treinador destacou que a postura aguerrida, semelhante à da campanha na Libertadores, deve ser o padrão adotado daqui para frente, provando que os erros recentes foram assimilados.
“Mas o fator determinante do jogo hoje foi a competitividade: no segundo tempo, o Corinthians poderia ter vencido, da mesma forma que o Flamengo também podia. O Corinthians vem ganhando confiança ao longo do caminho e as derrotas no Brasileiro serviram de lição. Hoje não tivemos aquele mesmo comportamento passivo. Perdemos o jogo e precisamos ganhar. De maneira alguma estamos contentes com a derrota, mas ficamos satisfeitos com a postura da equipe. Esse tipo de comportamento é o que nos aproxima das vitórias. Foi assim quando cheguei aqui no início, quando vencemos muitos jogos, e é o que tem nos ajudado na Libertadores”, comentou.
O tento corinthiano saiu aos 32 minutos da etapa final, em bela jogada que envolveu um trabalho coletivo entre Breno Bidon, Kaio César, Rodrigo Garro e a finalização de Gui Negão. Questionado sobre a elaboração da jogada, Diniz analisou a evolução da equipe na construção dos gols, justificando a estratégia inicial de atuar com linhas mais baixas devido ao menor tempo de entrosamento da formação titular.
“Acho que o time vem evoluindo. Hoje nem tivemos tantas possibilidades de construir, mas, quando tivemos, soubemos aproveitar. No primeiro tempo, baixamos bastante o bloco de marcação. Era difícil sustentar uma pressão mais alta contra o Flamengo sem estar com tudo muito ajustado, sob o risco de deixar muitos espaços. Como era um time que tinha treinado pouco junto, tínhamos a alternativa de subir o bloco, mas o jogo se desenhou de uma maneira que ficamos mais sólidos marcando um pouco mais atrás. A ressalva do primeiro tempo foi a posse: poderíamos ter ficado mais com a bola. De qualquer forma, os jogadores se dedicaram muito”, afirmou.
A estratégia mais cautelosa deu lugar a uma abordagem ousada na etapa complementar. Com as peças de reposição em campo, o Corinthians conseguiu reter a bola e adiantar a marcação, incomodando a saída do Flamengo. Diniz detalhou como essa mudança tática foi vital para o volume ofensivo criado na reta final, projetando que essa fluidez tática se tornará constante com a sequência de treinos.
“No segundo tempo, quando entraram os atletas mais acostumados a jogar, não só ficamos mais com a bola, mas começamos a marcar mais alto. Afinal, você não pode marcar alto se não quiser ter a posse. Não estávamos confortáveis com a bola na etapa inicial, mas, a partir das alterações, subimos a marcação e passamos a ter muito volume de jogo. Fizemos o gol, estávamos perto do segundo e acabamos sofrendo o empate. Mas acredito que essas construções táticas vão acontecer de forma natural e com mais frequência ao longo do tempo, conforme os treinos e jogos forem acontecendo”, relatou.
Sobre a confiança de que o bom comportamento visto em campo será mantido para o restante da temporada, Diniz foi franco ao evitar promessas vazias, mas contundente sobre o esforço do grupo. O treinador assegurou que o elenco sentiu o baque da má fase no Brasileirão e garantiu que a entrega será a marca registrada da equipe, sinalizando uma união forte para superar a oscilação.
“Não temos garantias nesta vida, mas posso garantir o meu melhor. E garanto que, neste momento, os jogadores estão totalmente empenhados em dar o seu melhor. Acredito muito que eles aprenderam, que nós aprendemos juntos as lições que essas quatro derrotas nos deixaram ao longo desse tempo”, finalizou.
Com o resultado negativo no Rio de Janeiro, o Corinthians ratifica o momento delicado no Campeonato Brasileiro. O tropeço mantém o clube na 13ª colocação da tabela, estagnado nos 32 pontos somados, e encurta a distância para a zona de rebaixamento da Série A.
Agora, o grupo treinado por Fernando Diniz redireciona o foco para o compromisso mais importante da semana. O elenco volta a campo na próxima quarta-feira, às 21h30, quando recebe o Estudiantes na Neo Química Arena pelo jogo de volta das quartas de final da Copa Libertadores.











