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Romeu Tuma Júnior detalha reunião com Stabile, defende transição no Corinthians e critica pedidos de intervenção judicial

Redação by Redação
outubro 24, 2026
in Futebol
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Romeu Tuma Júnior detalha reunião com Stabile, defende transição no Corinthians e critica pedidos de intervenção judicial
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O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, comentou sobre os bastidores políticos e administrativos do clube após uma reunião com o presidente Osmar Stabile e integrantes da diretoria, realizada na última sexta-feira (23), no Parque São Jorge. Em entrevista à imprensa, o dirigente abordou o processo de transição presidencial, a elaboração do orçamento para a próxima gestão, os questionamentos relacionados ao departamento de futebol e a possibilidade de uma intervenção judicial na instituição.

Durante a conversa, Tuma defendeu uma participação mais ativa dos candidatos à presidência nas decisões administrativas que poderão impactar os próximos anos do Corinthians. O dirigente também criticou associados que, segundo ele, deixam de pagar suas mensalidades, mas participam de movimentos favoráveis à intervenção judicial. Para o presidente do Conselho, o momento exige responsabilidade institucional e maior integração entre os diferentes setores do clube.

Foto: Divulgação / Corinthians

Tuma defende participação dos candidatos nas decisões do Corinthians

Um dos principais assuntos abordados pelo presidente do Conselho Deliberativo foi a necessidade de estabelecer um processo de transição mais organizado entre a administração de Osmar Stabile e o futuro mandatário alvinegro.

Segundo Tuma, o encontro permitiu discutir mecanismos para que decisões relacionadas a contratos, recursos financeiros e compromissos administrativos sejam acompanhadas pelos candidatos à presidência. A intenção é evitar que o próximo dirigente assuma o cargo sem conhecimento das obrigações estabelecidas anteriormente.

“A reunião foi boa para estabelecer questões importantes. Primeiro, é que todas as decisões importantes, contratos, caixa, passem pelos candidatos. A questão é que ouvissem todos os candidatos e deliberassem juntos. Todos concordaram. O interesse do Corinthians está acima de qualquer candidato. Eu pedi para que, no dia seguinte à eleição, o presidente eleito já esteja nas decisões, comunicando jurídico, marketing, financeiro, com contratos renovados, e evitar falações”, declarou.

A iniciativa envolve os cinco nomes que disputam a presidência do Corinthians: Zé Mendes, Rozallah Santoro, André Castro, Sérgio Janikian e Ilmar Schiavenato. A proposta é ampliar o diálogo entre os postulantes ao cargo e a atual diretoria, especialmente sobre assuntos que terão consequências após o encerramento do mandato de Stabile.

Tuma também demonstrou preocupação com a elaboração do orçamento para o próximo exercício. Na avaliação do dirigente, a definição das receitas e despesas não deve ocorrer sem a participação de quem poderá assumir a administração do clube.

“A questão do orçamento também. O cara que ganha a eleição vai engolir o orçamento feito pela gestão que está saindo. Para evitar, tem que reformular a gestão, e isso tem que ser feito a quatro mãos, saindo um orçamento dentro do planejado para quem ganhar a eleição”, afirmou.

Declaração de Gabriel Paulista e cobranças à diretoria

Outro tema discutido foi a relação entre a administração do Corinthians e o departamento de futebol. O assunto ganhou repercussão após declarações do zagueiro Gabriel Paulista, que criticou a falta de proteção institucional aos jogadores depois da derrota por 4 x 1 para o Palmeiras, no Dérbi.

De acordo com Romeu Tuma Júnior, a manifestação do defensor contribuiu para ampliar as preocupações existentes no Conselho Deliberativo, mas não foi o único motivo para a convocação de esclarecimentos por parte da presidência.

O dirigente explicou que havia pedidos de informações apresentados por comissões e associados que ainda não tinham recebido respostas. Além disso, citou ausências de Stabile em reuniões anteriores como outro fator que motivou a cobrança.

“A fala ajudou, mas tinha muito requerimento de informação, pelas comissões, associados, e não estavam sendo respondidos. A fala do Gabriel gerou uma certa insegurança no Conselho. Tudo junto, mais a ausência do presidente em reuniões, levou a chamá-lo, já que não estavam respondendo. Isso também contribuiu para criar esse ambiente e uma unidade em torno da instituição Corinthians. O Corinthians está acima de candidato e chapa. Os contratos que vão ser assinados, todos que têm a possibilidade de assumir devem participar. É interesse institucional. Valeu a pena fazer isso. Vamos fiscalizar, fazer valer o Estatuto e proteger o Corinthians. As pessoas tinham perdido esse foco”, declarou.

Ao comentar a relação entre política e futebol, Tuma afirmou que procura impedir interferências diretas de integrantes do Conselho no trabalho realizado pelo departamento. O presidente também relembrou manifestações de jogadores em defesa do ex-presidente Augusto Melo, durante a crise política enfrentada pelo clube em 2024.

“Eu fui vice de futebol anos atrás, conheço o ambiente de futebol. Tive cuidado, quando criei as Comissões de Futebol, em alertar que não fizessem investidas, questionamentos diretos, e que passassem pelo diretor de futebol, seja estatutário ou contratado. A diretoria acabou assumindo o papel nas últimas gestões. Os jogadores pediram para a política não entrar. Eu só lembrei ao presidente que os jogadores são empregados do clube, e quem levou a política para lá não foi o Conselho, nem sócio, foram os jogadores que se manifestaram politicamente na época do Augusto, com faixa, publicação em defesa. Ninguém aqui se mete em futebol, eu não deixo, conheço esse ambiente. Ninguém vai fazer ingerência. Foi importante a manifestação do Gabriel, deu um alerta, e o presidente esclareceu pelas informações dele”, completou.

A discussão ocorre em meio a mudanças no departamento de futebol do Corinthians. Na última semana, Marcelo Paz deixou o cargo de executivo de futebol, enquanto Julio Cesar, gerente do setor, passou a acumular as atribuições anteriormente exercidas pelo dirigente.

Presidente do Conselho critica inadimplência de associados e pedidos de intervenção

Além das questões administrativas e esportivas, Romeu Tuma Júnior se posicionou sobre os movimentos que defendem uma intervenção judicial no Corinthians. O presidente do Conselho afirmou que parte das manifestações favoráveis à medida estaria relacionada a interesses políticos internos.

Na avaliação do dirigente, a possibilidade de uma intervenção passou a ser utilizada por determinados grupos como alternativa para alcançar posições de influência dentro do clube. Ele também questionou a participação de associados que estariam inadimplentes.

“Temos procurado fazer tudo que é possível. Sou um dos maiores opositores das gestões passadas. Tudo que falo está em ata, todas estão publicizadas. O que eu digo é o seguinte: virou um projeto de poder. Esse monte de gente que pede intervenção sem poder estar no processo, sem ser sócio do Corinthians, sem estar com as suas contribuições financeiras em dia. O Corinthians vive uma situação financeira grave”, afirmou.

Na sequência, Tuma mencionou a existência de aproximadamente 17 mil associados que, segundo sua declaração, não estariam contribuindo financeiramente com o clube. O dirigente cobrou providências da diretoria e voltou a questionar a legitimidade de determinadas manifestações.

“Tem um monte de gente que não paga mensalidade aqui e pede intervenção. Ora, ele contribuiu para a situação financeira? Ele não paga. O cara não paga a mensalidade e acha que tem o direito de pedir alguma coisa em nome do Corinthians, do sócio do Corinthians. E o sócio que paga, que direito ele tem? O cara que não paga nada aqui, que deixa de pagar… Tem 17 mil caras que não pagam nada. Comuniquei a diretoria, e aí? Esses caras têm direito de ir ao processo para pedir intervenção? Qual é o interesse dele? Qual é o interesse dele se ele não paga nem a mensalidade dele?”, questionou.

A possibilidade de intervenção judicial no Corinthians é analisada em um procedimento conduzido pelo Ministério Público de São Paulo, que reúne informações e documentos sobre a administração do clube. Na última semana, integrantes do movimento #IntervençãoFiel se reuniram com o promotor Luiz Ambra Neto para entregar um abaixo-assinado favorável à medida, com quase 30 mil assinaturas.

Tuma sugere acordo com Ministério Público e alerta para consequências da instabilidade

Apesar das críticas aos movimentos favoráveis à intervenção, Romeu Tuma Júnior reconheceu a importância da atuação do Ministério Público na fiscalização de eventuais irregularidades. Entretanto, defendeu que a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) poderia representar uma alternativa para enfrentar os problemas administrativos sem provocar uma ruptura imediata na gestão.

O presidente do Conselho também demonstrou preocupação com os efeitos da instabilidade política sobre as atividades do Corinthians, especialmente na negociação de patrocínios e na contratação de profissionais para o departamento de futebol.

“Acho que virou um projeto político, não do Ministério Público, mas tem muita gente tentando vir, tomar o poder no clube e usar o Ministério Público. O Ministério Público deve atuar, mas acho que talvez um TAC bem amarrado com quem está na presidência, ou venha a ser o presidente, ajudaria muito mais o Corinthians. Porque toda essa movimentação que fica todo dia ‘vai ter intervenção, não vai ter intervenção?’, ninguém quer patrocinar nada, ninguém quer estar aqui junto. Você vai contratar treinador, o cara não quer vir: ‘Pô, mas eu vou assumir lá e ter uma intervenção, como é que eu fico?’. É difícil. É isso que eu quero, isso que eu falei claramente”, explicou.

Em outro momento, Tuma voltou a questionar as motivações de parte dos associados e ressaltou que uma eventual intervenção exige cautela, principalmente diante das consequências que a medida poderia provocar no funcionamento institucional do Corinthians.

“O que eu vejo é muita gente aqui de dentro que fala: ‘Quero intervenção’. Sabe o que é intervenção? Para que serve? Quem vai ser? O cara não sabe. Cada hora o cara quer uma coisa. Quer intervenção, outro quer SAF, outro quer não sei o quê, mas pagar a mensalidade, o cara não paga. Aí é difícil. Eu falo como presidente do Conselho, um cara que vive aqui há 40, 50 anos, tem que ter muita cautela. Não acho que todas as pessoas que acham que tem que ter intervenção não têm o direito de querer, acho que sim, tem gente que deve ser o que está pedindo. Mas tem gente que nem sabe, está com um projeto de poder, falou: ‘Quem sabe tem uma intervenção, conheço um interventor, conheço um amigo de um interventor, vou lá e posso virar um dirigente’. Isso está acontecendo, é grave, e a gente é contra isso”, concluiu.

A intervenção judicial, caso venha a ser determinada pela Justiça, pode envolver a nomeação de um responsável temporário pela administração do clube e a adoção de medidas para corrigir eventuais irregularidades. A aplicação desse mecanismo, entretanto, depende de análise judicial e não representa, por si só, a comprovação de irregularidades ou de responsabilidade dos dirigentes.

As declarações de Romeu Tuma Júnior ocorrem em um período de pressão sobre a administração alvinegra, tanto pela situação financeira quanto pelos resultados esportivos. No Campeonato Brasileiro, o Corinthians acumula nove rodadas sem vencer e tenta encerrar a sequência negativa neste sábado (24), às 18h30 (de Brasília), diante do Vasco da Gama, em São Januário, pela 32ª rodada da competição.

Fonte: Central do Timão

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