
Osmar Stabile, presidente do Corinthians, tornou-se alvo de mais um pedido de impeachment. Desta vez, Leandro Cano, associado do clube e juiz de Direito, protocolou o requerimento junto ao presidente do Conselho Deliberativo (CD), Romeu Tuma Júnior. A solicitação tem como base uma manifestação do promotor Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), anexada ao processo que investiga supostos desvios de materiais esportivos da Nike no Corinthians.
A informação foi divulgada inicialmente pelo Blog do Macedo e confirmada pelo Meu Timão. No documento ao qual a reportagem teve acesso, o associado sustenta que Stabile teria adotado uma postura contrária aos interesses institucionais do clube ao se manifestar em um processo no qual o Corinthians figura como potencial vítima.
Segundo o pedido, o Ministério Público apontou que o presidente apresentou argumentos convergentes com a estratégia de defesa do denunciado no caso, o segundo vice-presidente licenciado Armando Mendonça. Na avaliação do requerente, a manifestação teria enfraquecido a posição processual do Timão e favorecido interesses particulares em detrimento dos interesses do clube.
Vale lembrar que, no início de junho, o MP-SP apresentou denúncia contra Armando Mendonça pelos crimes de apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo, no desdobramento da investigação que apura o suposto desvio de materiais esportivos. Segundo a denúncia, Armando Mendonça teria se apropriado de 131 itens esportivos da fornecedora alvinegra entre junho e outubro de 2025.
Durante a tramitação do caso, Osmar Stabile, representando o Corinthians, declarou que o trabalho interno de auditoria realizado pelo clube não concluiu que o denunciado tenha desviado, subtraído ou se apropriado de materiais esportivos. O presidente também afastou a hipótese de que Armando teria tentado retirar outras 19 camisas especiais com patches da National Football League (NFL) que permaneceram no almoxarifado do CT Dr. Joaquim Grava após o empate por 1 a 1 contra o Palmeiras, disputado em 31 de agosto de 2025. O Ministério Público havia apontado que, além dos 131 itens citados na denúncia, Armando também teria tentado retirar essas peças.
A representação de Leandro Cano sustenta que houve uma espécie de “blindagem institucional”, alegando que Stabile ignorou conclusões de uma auditoria interna realizada para apurar possíveis irregularidades e afastou previamente a condição de vítima do Corinthians antes da conclusão das investigações e da análise do Poder Judiciário. Para o associado, a conduta comprometeu a defesa do patrimônio e da imagem da instituição.
O pedido também cita dispositivos do Estatuto do clube e da Lei Geral do Esporte (LGE) para sustentar que a atuação do presidente poderia ser enquadrada como gestão temerária. O requerimento argumenta que as decisões atribuídas a Stabile teriam colocado em risco interesses econômicos, reputacionais e administrativos do clube, além de provocar desgaste junto aos associados, patrocinadores e à opinião pública.
Outro ponto destacado é a chamada quebra de confiança política. O documento afirma que a permanência de Osmar Stabile na presidência teria sido comprometida diante das críticas formuladas pelo MP, ressaltando que eventual responsabilidade político-administrativa independe da existência de condenação criminal. Segundo o autor do pedido, bastaria a constatação de uma atuação incompatível com os objetivos para os quais o mandatário foi eleito.
Diante disso, o associado solicita a abertura formal de um processo de impeachment, com encaminhamento do caso à Comissão de Ética e Disciplina (CD) do Corinthians para instrução. O pedido prevê a notificação de Stabile para apresentação de defesa e requer a anexação da manifestação do Ministério Público como prova documental. Ao final do procedimento, o signatário pede o reconhecimento da incompatibilidade da conduta do dirigente com os deveres do cargo e sua consequente destituição da presidência do clube.
Outros pedidos de impeachment
Este não é o primeiro pedido de impeachment contra o presidente Osmar Stabile que está em tramitação no Conselho Deliberativo. No início de junho, um grupo de associados e conselheiros alegou supostas violações estatutárias e legais relacionadas à contratação de empresas de segurança e pediu a abertura de um processo de afastamento do mandatário.
Os autores sustentam que as irregularidades apontadas comprometem a transparência, a governança e a saúde financeira da instituição. Segundo o documento ao qual o Meu Timão teve acesso, as acusações envolvem possíveis descumprimentos do Estatuto do Corinthians, da Lei Geral do Esporte e de normas administrativas internas.
O principal ponto do pedido diz respeito à contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda., empresa ligada a Fernando José da Silva, conhecido como “Nandão”, gerente operacional do clube. De acordo com os signatários, a contratação teria ocorrido sem contrato formal e sem a aprovação prévia do Conselho de Orientação (Cori), exigência prevista no Estatuto para determinadas despesas administrativas.
O caso chegou ao Ministério Público de São Paulo, que incluiu Osmar Stabile na lista de investigados do procedimento criminal que apura possíveis irregularidades na contratação da empresa de segurança. O aditamento foi realizado na última terça-feira por determinação do promotor Cassio Conserino, responsável por diversas investigações envolvendo as últimas gestões do Corinthians.
Além disso, ainda em abril deste ano, um grupo de conselheiros já havia protocolado um pedido de impeachment contra o presidente. O processo avançou nos órgãos internos do clube, e Stabile já foi oficialmente notificado para apresentar sua defesa.
O argumento utilizado pelos autores do pedido está relacionado ao acordo firmado entre o Corinthians e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para renegociar uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão. Segundo o documento, o clube ofereceu o Parque São Jorge como garantia da operação, com o complexo avaliado em R$ 602,2 milhões.
Os signatários alegam que a medida foi adotada sem a autorização prévia dos órgãos competentes do clube, exigida pelo Estatuto. Eles também sustentam que a utilização da sede como garantia representa uma forma de oneração patrimonial, uma vez que o bem poderia ser executado em caso de descumprimento do acordo.
Além de OStabile, o segundo vice-presidente Armando Mendonça também também vive dias conturbados. O dirigente anunciou o afastamento do cargo por 30 dias em meio aos desdobramentos da investigação sobre o suposto desvio de materiais esportivos da Nike no Corinthians.
Nos últimos dias, conselheiros e associados encaminharam um pedido de afastamento cautelar contra Mendonça junto ao Conselho Deliberativo (CD). O dirigente foi denunciado pelo MP-SP na última semana pelos crimes de apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo.














