
A gestão de Osmar Stabile, presidente do Corinthians, tem sido alvo de polêmicas nos últimos meses. A mais recente veio à tona na terça-feira, quando o portal Sports Insider revelou que o clube do Parque São Jorge financia a segurança pessoal do dirigente e de seus familiares desde julho de 2025 por meio de uma empresa que não possui autorização da Polícia Federal para atuar no setor de segurança privada.
Segundo o mandatário, o serviço é necessário em razão da magnitude do cargo. Além disso, Stabile afirmou ter receio de que algo aconteça com ele após a invasão de apoiadores de Augusto Melo ao Parque São Jorge, em maio de 2025, e um episódio mais recente, quando foi abordado por um associado nas dependências do clube.
“O Corinthians não paga o Osmar Stabile, mas sim para o presidente do Corinthians. Há essa necessidade em virtude de tudo que aconteceu no Corinthians e recentemente. Existe essa necessidade que o presidente seja cuidado para que não aconteça nada de pior. Precisamos fechar as portas antes. O presidente do Corinthians precisa de segurança. Pode acontecer em qualquer lugar, a qualquer lugar, e tenho receio que aconteça com o presidente do Corinthians”, iniciou em entrevista à Rádio TMC Esporte.
“Essa empresa é segurança do presidente. É o Corinthians que paga. Toda a movimentação, combustível, eu pago. A segurança mensal é do Corinthians. O Corinthians sempre teve e eu precisava de segurança. Vocês mesmo falavam da dificuldade que teríamos, tanto que fiquei três meses com essa empresa e trocamos. Outubro para cá trocamos e está trabalhando normalmente”, completou.
Como trouxe o Meu Timão, a empresa contratada é a Bear Security, sediada no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro. Fundada em janeiro de 2025, a companhia teria como único cliente o próprio Corinthians. Ainda segundo a publicação, dois dos quatro profissionais vinculados à empresa já prestavam serviços de segurança para Stabile e familiares antes mesmo de sua posse como presidente do clube.
Outro ponto abordado foi a falta de regularização da empresa junto à Polícia Federal, requisito obrigatório para qualquer companhia interessada em atuar no segmento de segurança privada. Para Stabile, o mais importante é a relação de confiança com os profissionais responsáveis pela sua proteção, o que justificaria a manutenção do contrato mesmo sem a autorização exigida.
“Então, nesse caso (sobre não estar regularizada) não, porque ela é uma segurança VIP, é uma segurança VIP, é uma segurança do Presidente do Corinthians. Então o Presidente do Corinthians escolhe quem ele quiser pra ser a segurança dele, é questão de confiança, e as pessoas que me atendem, são pessoas de confiança, então eu entendi que deveria continuar com a empresa. Não tem problema nenhum, eu me sinto seguro. Eu só quero colocar pra você que ela é, ou quem cuida da segurança é alguém de confiança do presidente. Não importa, o importante é sentir-se seguro”, comentou.
A reportagem aponta que a Bear Security não possui a autorização obrigatória da Polícia Federal para operar no segmento de segurança privada. A empresa estaria registrada em nome da esposa de um dos policiais que atuam na prestação do serviço. Para atuar no setor de segurança privada no Brasil, uma empresa precisa obter autorização prévia da Polícia Federal antes mesmo de concluir seu registro. Além disso, a legislação determina a comprovação de capital social mínimo integralizado no contrato social da companhia, entre outras obrigações.
Por fim, Osmar Stabile voltou a afirmar que confia nos profissionais responsáveis por sua segurança e disse nunca ter enfrentado problemas com a empresa. O presidente também relembrou as medidas emergenciais adotadas após a invasão ao Parque São Jorge em maio de 2025, episódio que gerou outra polêmica envolvendo contratos de segurança no clube.
“Ela está regular, prestando serviço para o presidente do Corinthians. Para isso, tem que ser alguém de confiança do presidente. Não vejo nenhum problema nessa empresa. A outra foi um pedido emergencial do presidente para o Fernando, dei autorização e quem redigiu o documento foi o Romeu Tuma Júnior. Fiz três documentos, um para o Fernando, Leonardo Pantaleão e Marcelo Munhoes, além do presidente do Conselho que me ajudava ali. Acabamos colocando o Pantaleão como diretor jurídico naquele momento”, finalizou.
O Fernando citado por Osmar Stabile é Fernando José da Silva, conhecido como Nandão, então gerente operacional do clube. Ele esteve no centro da polêmica envolvendo a contratação de serviços de segurança após abrir a Mega Assessoria Operacional Ltda em seu próprio nome, empresa que prestou serviços ao clube sem possuir a regularização necessária para atuar no setor de segurança privada.
Ao todo, o Corinthians efetuou o pagamento de três notas fiscais à companhia, que somaram R$ 676,6 mil por serviços prestados ao longo de 2025.











