
Quando pequeno, convivi com uma pergunta que nunca soube responder: se não fosse Corinthians o que você seria?
Nunca soube responder por não ver sentido na pergunta. “Como assim se eu não fosse Corinthians?” Até onde minha memória alcançava lá estava o Corinthians, na reunião da minha família e amigos aos fins de semana na laje de casa, nos sorrisos, nas paredes, nos muros, ruas e vielas da minha quebrada… “Como não ser Corinthians?”, era a pergunta que a tal pergunta me gerava.
Ainda não vejo sentido na pergunta, mas encontrei essa resposta. Resposta essa que sempre esteve ali, clara e cristalina, brilhando como os sorrisos do meu menino e da minha menina. Tão clara quanto o branco do sagrado uniforme um. Mas antes de enfim responder e revelar o que eu seria, é preciso saber o que eu era, o que sou e o que motivou a pergunta.
Acontece que eu sempre gostei de falar sobre o Corinthians. Falar gerava debate. Debater me empregava a responsabilidade de não baixar a cabeça. E isso me tornou um corinthiano extremamente irritante para colegas e amigos, pois eu não me calava, nem quando os argumentos acabavam. Quando a atualidade não bastava, eu recorria à história. Não me calava nem quando usavam o estádio ou o título da Libertadores como “trunfo”. Na verdade, eu adorava quando colocavam essas cartas na mesa.
Para mim o Corinthians sempre foi uma força que passa os limites físicos e imaginários do esporte. Eu via no time e em sua história uma representatividade que não via no Estado, só ouvia no rap. O Corinthians sempre foi reunião familiar, churrasco na laje e barulho. Sempre foi, para mim, sinônimo de luta e de resistência. Os amigos que me perdoem, mas não defender o Corinthians para mim era, e ainda é, impossível.
O Corinthians é dono de feitos esportivos únicos, é responsável direto pela popularização do esporte em São Paulo e no Brasil, agente importante de inclusão em campo e fora dele, um dos protagonistas em lutas antirracistas e de igualdade de gênero, um “megafone” que ampliou o alcance de vozes que clamavam pela democracia no país. O Corinthians é um colosso, um fênomeno!
Eu me apaixonei pela história e continuo me apaixonando dia após dia. Eu me encantei pela devoção e loucura da torcida e inevitavelmente me tornei um louco devoto também. Eu vibrei e me arrepiei com cada vitória daquele jeito Corinthians de ser, assim como me enfureci ou chorei com cada derrota… Daquele jeito Corinthians também.
Por fim, tendo vivido o que vivi, conhecido quem conheci, sentido o que senti, chegado onde cheguei e escrito tudo o que escrevi… Eu, com toda a certeza do mundo, sei o que eu seria.
Se eu não fosse Corinthians, eu seria triste. Muito triste. Triste demais.
Este texto de responsabilidade do autor e no reflete, necessariamente, a opinio do Meu Timo.






