- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
Em entrevista coletiva no início desta semana no CT Dr. Joaquim Grava, o lateral-esquerdo Matheus Bidu revelou que terá passar por um procedimento cirúrgico na hérnia inguinal ao final desta temporada. O camisa 21, na ocasião, afirmou que vem convivendo com na incômodo há algum tempo, mas optou por esperar o encerramento do ano devido à situação do time no Brasileirão.
Desde 2025, Matheus Bidu é o quarto jogador do Corinthians a ter hérnia inguinal. Antes dele, tiveram o mesmo problema: os defensores Gustavo Henrique e João Pedro Tchoca, o lateral-esquerdo Hugo Farias e o atacante Yuri Alberto. Em entrevista ao Meu Timão, Joaquim Grava, médico histórico com passagem pelo Timão, Portuguesa, Red Bull Bragantino, Santos e Seleção Brasileira, detalhou a conduta do clube para o diagnóstico e tratamento deste problema.

Montagem: Central do Timão
“Não quero desmerecer os outros clubes, mas o Corinthians tem um médico que faz esse tipo de diagnóstico de hérnia — funcionando como se fosse um consultor, o Dr. Walter Ayres —, que tem uma conduta específica para esses casos. Como a fisioterapia é muito demorada, acaba limitando muito o atleta, e, com esse tipo de hérnia, o melhor caminho é o ato cirúrgico para resolver logo o problema. Se não, o jogador faz a fisioterapia, fica bem e acaba voltando a sentir dor. Então, é melhor fazer um tratamento definitivo para ele seguir jogando seu futebol sem problema nenhum”, iniciou.
O profissional também abordou a situação de dois jogadores que, recentemente, passaram por cirurgia no ligamento cruzado anterior do joelho: o meia Zakaria Labyad e o atacante Kayke. O primeiro não atua desde o final de julho, enquanto o segundo entrou em campo pela primeira vez na terceira semana de abril. Joaquim Grava afirmou que os protocolos de reabilitação feitos pelo Corinthians passaram por mudanças e discorreu sobre as etapas do processo de tratamento da contusão.
“Foi um protocolo alterado pelo próprio setor de fisioterapia, que é totalmente independente das orientações do coordenador do departamento médico. Mas vejo da seguinte forma: nas fases de tratamento do pós-operatório de lesão de cruzado, nós temos uma fase inicial de três meses, que é considerada estática: o atleta trabalha, faz fortalecimento por meio de aparelhos e exercícios específicos. Ele já pode andar de bicicleta e realizar uma série de atividades para recuperar a força muscular. A partir do terceiro mês, já iniciamos uma fase mais dinâmica, em que o atleta passa a fazer outros tipos de exercícios e eleva a carga para melhorar a condição muscular.”
Depois, destacou a importância da avaliação da condição muscular anteriormente ao avanço para as etapas seguintes de recuperação. Joaquim entende que o processo de transição entre as etapas precisa levar em conta a forma como o organismo reage aos exercícios, uma vez que a volta aos treinos sem o fortalecimento necessário pode acabar aumentando os riscos de lesão.
“Após esse período, você tem um exame que pode fazer. Eu examino a cinética para realizar uma avaliação dessa musculatura porque, se a musculatura não estiver suficientemente desenvolvida, o atleta pode voltar a lesionar o joelho. A partir desses outros três meses, que correspondem à fase dinâmica, entramos na etapa de transição, que pode ter início entre o quarto e o quinto, ou do quinto ao sexto mês de tratamento“, acrescentou.
O doutor também analisou os diferentes prazos de retorno dos jogadores de lesão no Brasil e em outros países. Segundo ele, o tempo para recuperação e que os atletas voltem a atuar estão ligados a fatores como características do jogador, procedimento cirúrgico e o trabalho de fisioterapia feito ao longo do treinamento.
“Dependemos muito do atleta, do cirurgião e do tipo de fisioterapia. O que existe de muito diferente é que, em outros países, o retorno ainda permanece entre seis e sete meses. E aqui no Brasil, realmente, foi para dez, doze meses, muitas vezes até aumentando, como foi o caso do Neymar. Mas existem certos tipos de intercorrências que podem ocorrer nessa recuperação e sobre as quais nós não ficamos sabendo, seja inchaço no joelho ou muita dor. Então, isso a gente não pode precisar, porque estamos distantes do tratamento.”
Por fim, Joaquim Grava entende que a volta aos gramados depois de uma lesão de LCA possa acontecer em um tempo menor do que o habitual. O médico apontou como o período adequado o prazo entre seis e oito meses, desde que o jogador tenha feito um processo de recuperação adequado e uma cirurgia eficiente.
“No meu ponto de vista — e sempre fui favorável a isso, pois tenho experiência suficiente, já que operei muitos atletas de ligamento cruzado anterior desde as décadas de 1980, 1990 até os anos 2000 —, acho que o tempo correto para voltar à atividade com lesão de cruzado anterior é entre sete e oito meses. Hoje, o fisioterapeuta acaba fazendo o seguinte: estende esse prazo por mais três ou quatro meses com um excesso de zelo. Mas isso acaba sendo uma interferência indevida no aconselhamento do atleta. Acredito que, com uma boa recuperação e uma cirurgia feita por um bom profissional, o atleta pode retornar perfeitamente nessa faixa de sete a oito meses”, finalizou.
Análise da lesão de Raniele
O volante Raniele, que recentemente passou por uma cirurgia no menisco lateral do joelho direito, é outro desfalque do Corinthians. Ele não atua desde o dia 11 de outubro, na derrota corinthiana para o Palmeiras, por 4 x 1, no Estádio Nubank Parque, pela 30ª rodada do Brasileirão. Também ao Meu Timão, Joaquim Grava disse que a contusão não é tão grave.
“Não, não é tão grave, porque a recuperação da lesão de menisco, hoje em dia, não é como na época que eu comecei a operar joelho, nos anos 80 e 90. Ela é muito rápida. Para você ter uma ideia, o atleta operava o menisco, que era uma cirurgia aberta, e demorava de três a quatro meses. E, quando não dava mau resultado, não voltava a jogar. Tem isso também. Era uma lesão muito significativa na época, porque nós não tínhamos exames de imagem, então o diagnóstico era clínico, e a evidência sempre era mais menisco. Era um futebol mais lento, um futebol em que você não tinha uma atividade física, uma velocidade como nós temos hoje”, iniciou.
Em seguida, o médico comentou sobre como as artroscopias acabaram tornando as cirurgias de menisco menos impactantes, fazendo com que os jogadores tenham um tempo de recuperação mais rápido. Na sua resposta, citou casos de atletas que conseguiram voltar a atuar poucas semanas após os procedimentos.
“Com o advento da artroscopia, há muitos anos, realmente a agressividade com a cirurgia de menisco é muito pequena. Então, o atleta, para você ter uma ideia, pode até sair caminhando do hospital, apoiando o pé sem problema, dependendo do tipo de lesão. Nós temos aí na história atletas que retornaram em 21 dias. Nós temos o caso da Copa do Mundo, em que o atleta teve lesão no menisco, foi para o país dele e jogou a final. Então, é um tipo de cirurgia em que você pode aguardar que, de três a quatro semanas, se não apresentar nenhum tipo de intercorrência, alguma coisa que interfira, ele pode retornar o mais rápido possível”, disse.
Na atual temporada, Raniele, era, até então, titular absoluto do Corinthians, somando três gols em 44 jogos (40 como titular). O volante foi contratado pelo Timão no começo de 2024, depois de se destacar pelo Cuiabá na temporada anterior e somar passagens consistentes por equipes como Avaí, Bahia, Portuguesa, Ferroviária e Botafogo-SP.
Desde então, foi titular da equipe corinthiana na maioria dos momentos e é considerado um dos pilates do sistema de jogo Alvinegro. Em seu primeiro ano, fez parte da arrancada história do Campeonato Brasileiro de 2024 (do Z4 à Pré-Libertadores de 2025 – sétima colocação com 56 pontos), e foi titular nas conquistas do Paulistão, Copa do Brasil e Supercopa, diante de Palmeiras, Vasco da Gama e Flamengo, respectivamente.
Ao todo, são 154 jogos pelo Corinthians (138 como titular), sendo 66 vitórias, 38 empates e 50 derrotas, o que representa um aproveitamento de 51,1%. Além disso, são seis gols marcados e duas assistências contabilizadas.
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Fonte: Central do Timão










