
A Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians, publicou um comunicado em suas redes sociais exigindo o afastamento de Armando Mendonça do cargo de segundo vice-presidente do clube. O principal ponto do manifesto tem como foco o caso do suposto desvio de materiais esportivos da Nike, no qual o dirigente é apontado como um dos principais envolvidos.
Segundo a nota, o caso com a patrocinadora do clube levantou sérias preocupações quanto à condução e à lisura das relações institucionais. Para a organizada, a gravidade do momento compromete a credibilidade da atual gestão e expõe o Corinthians a riscos que não podem ser ignorados — veja abaixo na íntegra.
Na última quarta-feira, Armando Mendonça foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo, no desdobramento da investigação do caso Nike.
De acordo com a denúncia do MP-SP, o segundo vice-presidente teria se apropriado de 131 itens de materiais esportivos entre junho e outubro de 2025. Os produtos incluem 100 camisas, nove blusas, nove calças, seis pares de tênis, quatro shorts, duas malas e uma mochila. O Ministério Público também aponta que o dirigente tentou retirar outras 19 camisas especiais da NFL que permaneceram no almoxarifado após o empate por 1 a 1 entre Corinthians e Palmeiras, em duelo disputado em 31 de agosto de 2025.
Além disso, ele teria subtraído oito dessas camisas com alusão ao duelo entre Los Angeles Chargers e Kansas City Chiefs, disputado na Neo Química Arena em setembro, sem a devida formalização da solicitação no sistema interno do clube. Segundo a denúncia, o dirigente se aproveitou do acesso aos almoxarifados do Parque São Jorge e do CT Dr. Joaquim Grava em razão do cargo que ocupa.
A apuração ainda aponta a prática de coação no curso do processo. Conforme anexado pelo MP, durante as investigações sobre o desaparecimento dos materiais esportivos, Armando teria adotado uma série de condutas destinadas a intimidar funcionários e colaboradores envolvidos na auditoria interna que identificou as supostas irregularidades. Uma ligação gravada por Marcelo Munhoes, diretor de tecnologia do Corinthians, com duração de quase 40 minutos, tornou-se um dos fundamentos do pedido.
A organizada ainda destaca que há registros de apurações internas, pareceres de auditoria realizados pelo clube ao longo do último ano e manifestações da Comissão de Justiça (CJ) do Corinthians que apontam para irregularidades relevantes. Apesar do pedido, a Gaviões da Fiel ressalta que o dirigente terá pleno direito à ampla defesa, como é garantido a qualquer cidadão. Entretanto, diante da natureza das acusações e do contexto atual, entende que não há mais condições políticas e institucionais para a manutenção de Armando Mendonça no exercício do cargo.
Em outro momento, o comunicado faz referência a uma declaração de Armando durante o caso VaideBet, que envolve um escândalo de corrupção e desvio de verbas ligado ao contrato de patrocínio máster de R$ 370 milhões firmado entre o Timão e a casa de apostas em janeiro de 2024. Na ocasião, Mendonça defendeu o afastamento do então presidente Augusto Melo, que estava sob investigação, o que, na avaliação da organizada, torna sua permanência neste momento incoerente com a postura que já sustentou publicamente.
Esse não é o primeiro pedido de afastamento contra Armando Mendonça em decorrência da denúncia do MP-SP. Na última sexta-feira, um grupo de conselheiros e associados do Corinthians protocolou um pedido de afastamento cautelar do dirigente junto ao Conselho Deliberativo (CD) do clube. A solicitação será analisada por Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do órgão.
Confira a nota na íntegra
GAVIÕES EXIGE AFASTAMENTO DE ARMANDO MENDONÇA
O Gaviões da Fiel Torcida, cumprindo seu papel histórico de defesa intransigente do Sport Club Corinthians Paulista, exige o afastamento imediato do segundo vice-presidente Armando Mendonça.
Entre os elementos que motivam este posicionamento está o episódio envolvendo a Nike, patrocinadora do clube, que levantou sérias preocupações quanto à condução e à lisura das relações institucionais. A gravidade do momento compromete a credibilidade da atual gestão e expõe o Corinthians a riscos que não podem ser ignorados.
Além disso, Armando Mendonça foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por supostos crimes de furto qualificado de recursos do clube, coação no curso do processo e apropriação indébita.
Há registros de apurações internas, pareceres de auditoria e manifestações da Comissão de Justiça que apontam para irregularidades relevantes. Ressaltamos que o dirigente terá pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, como garantido a qualquer cidadão.
Entretanto, diante da natureza das acusações e do contexto atual, não há mais condições políticas e institucionais para a manutenção de Armando Mendonça no exercício do cargo.
Cabe destacar que o próprio Armando Mendonça, em episódio anterior, defendeu o afastamento de dirigente sob investigação, o que torna sua permanência neste momento incoerente com a postura que já sustentou publicamente.
A situação se agrava com a formalização de pedido de impeachment por conselheiros, evidenciando que a crise atingiu um nível crítico. A continuidade no cargo, nesse cenário, representa um fator de instabilidade e desgaste ainda maior para a imagem do clube.
Reafirmamos que o Corinthians está acima de qualquer interesse individual. A transparência, a ética e o respeito à sua história devem prevalecer. Por isso, reiteramos a exigência de afastamento imediato, como medida necessária para proteger a instituição e preservar sua credibilidade.
A Diretoria
Gaviões da Fiel Torcida













