Na noite deste sábado (31), o Corinthians foi derrotado pelo Cruzeiro nas cobranças de pênaltis, por 5 x 4, após empate em 4 x 4 no tempo regulamentar, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, no Equador, pela final da Conmebol Libertadores Feminina de 2026. As Brabas chegaram a abrir 3 x 0 e 4 x 2 no placar, com dois gols de Gabi Zanotti e dois de Vic Albuquerque, mas sofreram o empate nos acréscimos e ficaram com o vice-campeonato continental.
Após o apito final, Gabi Zanotti e Vic Albuquerque concederam entrevistas à transmissão da Conmebol e analisaram a derrota alvinegra. As jogadoras lamentaram a mudança de postura da equipe após a vantagem construída, reconheceram as dificuldades defensivas nas jogadas aéreas e comentaram os desafios enfrentados pelo Corinthians ao longo da temporada.

Gabi Zanotti, que alcançou a marca de 100 gols pelo Corinthians na Libertadores Feminina, demonstrou tristeza pelo resultado e avaliou que a equipe deveria ter mantido a agressividade mesmo após abrir três gols de vantagem.
“Muito triste pelo resultado. Abrimos 3 x 0 e mudamos um pouco a postura. Acho que isso é inadmissível. A gente deveria ter continuado sendo mais agressiva. A gente sabia que as bolas aéreas, a bola parada delas era um ponto forte, e a gente acabou sofrendo gols assim. Feliz com o meu centésimo gol, mas seria muito melhor com o título coroar toda a campanha. Nós estávamos construindo talvez a melhor campanha na nossa história dentro da Libertadores. É uma noite para ser esquecida, muito triste mesmo”, afirmou.
Na sequência, a meio-campista também comentou o desempenho do Corinthians em 2026 e destacou a necessidade de recuperação da equipe após mais uma decisão sem conquista.
“Foi um ano muito difícil para a gente, um ano em que batemos na trave por diversos momentos, e a gente tem que se reconstruir, se reerguer, porque essa camisa é gigante e a gente vai sempre querer buscar estar no lugar mais alto do pódio”, completou.
Vic Albuquerque, autora dos outros dois gols alvinegros na decisão, também reconheceu os erros cometidos pela equipe. A atacante destacou o domínio corinthiano durante boa parte do confronto, mas lamentou as oportunidades concedidas ao Cruzeiro, especialmente nos cruzamentos e nas bolas levantadas na área.
“Bom, agora resta digerir essa derrota, né? Parabenizar a equipe do Cruzeiro, elas foram valentes até o final. Sobre a partida, eu acho que a gente teve domínio na maior parte dela. Abrimos 4 x 2 ali, a gente vacila um pouco nas entradas de área, cruzamentos, bola na área e tal. Elas aproveitam muito essas bolas, elas são boas de cruzamento. E a gente não aprendeu, não aprendeu, mesmo analisando muito bem o time delas. E é isso, acho que as penalidades são coisas que acontecem, alguém vai errar, não tem jeito. Deveríamos ter ganho o jogo na partida normal”, declarou.
Questionada sobre os fatores que contribuíram para a perda de protagonismo do Corinthians em algumas competições da temporada, Vic evitou apontar uma causa específica e ressaltou a responsabilidade coletiva pelos resultados.
“Não tem como eu cravar, mas podem ser muitas coisas. Podem ser lesões, pode ser extracampo, pode ser o que vem de fora, pode ser o trabalho, podem ser muitas coisas, podem ser as escolhas, pode ser nós ineficientes dentro do campo. Então é uma responsabilidade toda nossa e a gente tem que assumir, e é isso”, concluiu.
O Corinthians chegou à decisão após uma campanha de cinco vitórias em cinco partidas, com 21 gols marcados e apenas dois sofridos. Na fase de grupos, as Brabas venceram Colo-Colo, do Chile, por 2 x 0, Caracas, da Venezuela, por 7 x 0, e Independiente Santa Fe, da Colômbia, por 5 x 1, encerrando a primeira fase na liderança do Grupo A, com nove pontos.
Nas quartas de final, a equipe comandada por Emily Lima goleou o Independiente del Valle, do Equador, por 5 x 0. Já na semifinal, voltou a enfrentar o Santa Fe e conquistou a classificação com uma vitória de virada por 2 x 1.
Do outro lado, o Cruzeiro também alcançou a final com 100% de aproveitamento. A equipe mineira venceu LDU, Bolívar e Olimpia na fase de grupos, eliminou o Libertad/Limpeño nas quartas de final e superou novamente o Olimpia na semifinal.
A decisão marcou a sétima participação do Corinthians em uma final de Libertadores Feminina. Nas seis anteriores, o clube do Parque São Jorge havia conquistado o título em todas as oportunidades, nos anos de 2017, 2019, 2021, 2023, 2024 e 2025, sem sofrer gols no tempo regulamentar dessas partidas.
Além disso, o confronto representou mais um capítulo do histórico entre Corinthians e Cruzeiro no futebol feminino. Antes da final continental, as equipes haviam se enfrentado 16 vezes, com 12 vitórias alvinegras, dois empates e dois triunfos mineiros. Em jogos eliminatórios, as Brabas também chegavam invictas, com seis vitórias e dois empates.
Com o vice-campeonato, o Corinthians encerrou sua participação na Libertadores Feminina de 2026 e voltou suas atenções ao Campeonato Paulista. O próximo compromisso está marcado para o dia 17 de novembro, terça-feira, às 21h (de Brasília), diante do Red Bull Bragantino, no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, pelo jogo de ida do play-in da competição estadual.
Fonte: Central do Timão







