
Com a eliminação na Libertadores, na última quarta-feira, o Corinthians passa a ter apenas o Campeonato Brasileiro pela frente até o encerramento da temporada. Após a partida contra o Estudiantes, na Neo Química Arena, o técnico Fernando Diniz comentou sobre a necessidade de virar a página rapidamente, reconhecendo que o baque emocional precisa ser superado para estancar a má fase no torneio nacional e lidar com a turbulência extracampo.
“Esses momentos são sempre difíceis, mas agora temos que saber enfrentar e saber sofrer com o que aconteceu. Está todo mundo muito triste. Hoje é como um dia de luto, de tristeza geral. Mas vamos ter que saber nos levantar, porque o Campeonato Brasileiro continua. Precisamos melhorar no Brasileirão, até porque viemos de uma sequência muito ruim. É hora de o time se juntar e se fortalecer para terminar a temporada de maneira digna”, iniciou em entrevista coletiva.
Apenas em 14º lugar no Brasileirão, com 32 pontos, o time alvinegro convive com a ameaça constante do Z4, intensificando os questionamentos sobre o teto da equipe na temporada. Ao ser indagado se o patamar do time é este mesmo, Diniz rebateu o tom fatalista da pergunta e argumentou que a análise muda radicalmente em cima de pequenos detalhes do jogo.
“Não concordo com essa análise, não vejo por esse lado, e também não vou reclamar hoje por falta de jogadores. Todo mundo conhece o cenário de dificuldades que enfrentamos. Mas se o Memphis tivesse convertido o pênalti e saíssemos vitoriosos, as perguntas aqui seriam outras. O resultado acaba sendo o senhor de todas as análises. Repito: foi um jogo difícil, mas fizemos uma partida muito boa. Foram dois confrontos equilibrados. Não acho que eles jogaram melhor no primeiro jogo, basta olhar o número de finalizações e a posse de bola“, afirmou.
Ao analisar a postura tática do adversário, o comandante admitiu que o ritmo imposto pelos argentinos dificultou a construção do futebol ofensivo alvinegro. Diniz destacou que o time encontrou barreiras para imprimir sua identidade em um duelo marcado por muitos truncamentos.
“Talvez a partida daqui tenha corrido como eles (Estudiantes) queriam, com bola longa e disputa de primeira e segunda bola. Em alguns momentos não conseguimos impor nosso estilo de posse e finalizamos poucas jogadas, deixando o jogo travado. Mas esse grupo tem muito brilho e trabalha demais“, disse.
Para a partida, o Timão contou com cinco desfalques, sendo quatro no departamento médico. Um dos principais nomes é o de Yuri Alberto, que segue sob os cuidados dos fisioterapeutas em razão de uma contusão de grau 2 na coxa direita. Diniz lamentou o impacto direto dessas lesões no esquema tático da equipe.
“As ausências no elenco pesaram, e o Yuri Alberto é um atleta que faz muita falta. Ele tem características muito específicas para a posição, pelo modo como ataca o espaço e incomoda a marcação. Essa ausência pesou mais do que deveria, e não encontramos soluções para resolver o problema. Ainda assim, não me conformo com a eliminação: tínhamos condições de ter avançado e agora precisamos evoluir no Campeonato Brasileiro“, complementou.
Consciente da exigência das arquibancadas e do ambiente pesado com a queda do rendimento, o técnico abordou o desapontamento geral e garantiu que o elenco segue comprometido para responder em campo, prestando contas à torcida.
“Estamos tristes. Os jogadores tentaram fazer o melhor, mas não conseguiram. Ninguém deixou de trabalhar, independentemente da situação do clube. Agora vamos trabalhar para voltar a vencer no Brasileirão. Trabalhamos para dar alegria ao torcedor, mas infelizmente não conseguimos”, comentou.
Sem esconder o abate, o treinador encerrou sua fala descrevendo a atmosfera pesada do vestiário e ressaltou que a prioridade absoluta agora é o departamento médico para estancar a crise no Brasileirão.
“O tom da minha voz é de tristeza profunda. Não há clima para um ‘Vai, Corinthians’. Nós vínhamos ganhando jogos, ganhando corpo e confiança, mas agora estamos vivendo o momento oposto. Antes não tínhamos ninguém fora, estavam todos à disposição. Agora temos que lutar para recuperar esses atletas o mais rápido possível e voltar a vencer no Brasileirão”, finalizou.
Sem tempo para lamentações, a equipe corinthiana já precisa virar a chave para tentar reencontrar a paz na temporada. O Timão retorna aos gramados neste domingo, quando enfrenta o Fluminense, novamente na Neo Química Arena, às 16h, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. Este será o último duelo antes da Data Fifa.












