
O Corinthians superou o Platense, da Argentina, por 2 a 0, na última quinta-feira, em duelo válido pela primeira rodada do Grupo E da Copa Libertadores de 2026. A partida no Estádio Ciudad Vicente López marcou a estreia do técnico Fernando Diniz no comando do Timão.
Apesar do pouco tempo à frente da equipe alvinegra, Diniz conseguiu encerrar uma sequência de nove jogos sem vitórias do Corinthians. O treinador explicou alguns ajustes feitos durante a partida contra o Platense e destacou que o clube precisa se reconectar com a torcida para se fortalecer ao longo da temporada.
“Do meio do primeiro tempo em diante, a gente começou a baixar muito as linhas de marcação, o que não tinha necessidade. Aí o time deles empurra a gente para trás, e a gente ficou com pouca posse no campo de ataque. Esse foi o ajuste que a gente fez no intervalo, que a gente mostrou no vídeo, nos cortes que a gente pegou. Mas eu acho que o mais importante, que você falou da torcida, é o time se reconectar com a torcida, porque essa combinação é o que vai fazer o Corinthians ficar muito forte. Respeitar a chateação do torcedor, que é justificável. E o torcedor também pode ter certeza de que os jogadores trabalham muito e são muito dedicados. Às vezes as coisas não acontecem por motivos diversos, mas os jogadores estão se entregando ao máximo para que as vitórias voltem a acontecer de maneira frequente”, iniciou em entrevista coletiva após o triunfo.
Nas últimas semanas, o elenco corinthiano foi alvo de diversas manifestações da torcida dentro e fora do estádio. Membros de organizadas foram até o CT Dr. Joaquim Grava em duas oportunidades, onde se reuniram com os atletas e cobraram mais entrega. No início da semana, após a derrota para o Internacional — que culminou na demissão do técnico Dorival Júnior —, torcedores subiram o tom na porta do centro de treinamento, com críticas direcionadas a jogadores como Raniele, Gabriel Paulista, Vitinho, Charles e Kaio César, que deixavam o local em seus carros.
Na sequência, Fernando Diniz comentou que pretende implementar seu estilo de jogo de forma gradual, priorizando um modelo com mais mobilidade. O treinador explicou que isso pode beneficiar atletas mais criativos, como Rodrigo Garro e Breno Bidon, mas ressaltou o pouco tempo de treinos e que a evolução será progressiva.
“Isso é uma característica que faz parte do meu trabalho, o jogo de mobilidade. E vai precisar treinar em todos os aspectos, em todas as fases do jogo, fazer ajustes de marcação. Na realidade, para o jogo de hoje, no tempo que a gente teve, eu dei uma ênfase maior no aspecto defensivo, de tentar sustentar uma marcação mais alta, que a gente conseguiu na maior parte do jogo, e colocar um pouco mais no jogo de mobilidade. Eu acho que a equipe vai se beneficiar. Tem jogadores com características muito particulares, que gostam da posse. O Garro é um daqueles que, mesmo com pouco tempo, já se beneficiou com o que a gente teve nesse jogo de posse. O Bidon é outro jogador que vai se beneficiar. Mas muitos jogadores aqui no Corinthians têm facilidade para esse jogo”, analisou.
“O jogo de mobilidade serve para determinados momentos, quando o time está jogando com a linha muito baixa. A gente tem que fazer um jogo mais posicional, porque não tem muito espaço para se gerar movimento. Então a gente vai trabalhar em todas as frentes, mas o jogo de mobilidade que você perguntou é um jogo que tem que ter, o treinamento é constante e as circunstâncias vão fazendo o time ficar cada vez melhor. É um jogo mais aberto, que não é um jogo em que você deixa a liberdade e está tudo livre. Ao contrário, é um jogo que dá mais trabalho para treinar, para arrumar combinações diferentes. Fica aparentemente um pouco mais caótico, mas é um caos que o time consegue ter domínio. Então ele requer bastante treinamento e a evolução é constante. Então a gente vai trabalhar aos poucos, bem vagarosamente, porque esse primeiro momento do Corinthians a gente não vai ter tempo para treinar, não vai ter jeito. Não teremos nenhuma semana livre até a próxima parada, mas é algo que deve acontecer de maneira paulatina, esse jogo de mobilidade”, finalizou.
Até a pausa do Campeonato Brasileiro, em 1º de julho, para a realização da Copa do Mundo, o Corinthians terá uma sequência de 15 jogos, somando compromissos pelo Brasileirão, toda a fase de grupos da Libertadores e partidas da quinta fase da Copa do Brasil. Com isso, Diniz terá pouco tempo para treinar a equipe, além da recuperação entre um jogo e outro.
Um exemplo dessa maratona é o próximo confronto. O Corinthians enfrenta o Palmeiras às 18h30, na Neo Química Arena, pela 11ª rodada do Brasileirão. O Timão terá apenas dois dias de treino, nesta sexta-feira e no sábado, além da viagem de retorno de Buenos Aires após a vitória sobre o Platense.
Esse cenário se repetirá na próxima semana, quando os comandados de Fernando Diniz enfrentam o Independiente Santa Fe, da Colômbia, na quarta-feira, às 21h30, pela segunda rodada do Grupo E da Libertadores.














