A presidência do Conselho Deliberativo do Corinthians divulgou, nesta quinta-feira (5), uma nota oficial repudiando o comportamento de pessoas ligadas à administração e ao órgão deliberativo do clube durante o empate por 0 x 0 diante do São Paulo, na última quarta-feira (4), na Vila Belmiro, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. A manifestação aconteceu após a divulgação de imagens de integrantes de um camarote destinado à comitiva alvinegra realizando provocações e gestos ofensivos em direção aos torcedores são-paulinos presentes no estádio.
O episódio ocorreu após o encerramento do Majestoso, disputado com torcida única do São Paulo. Registros que circularam nas redes sociais mostram pessoas presentes no espaço reservado ao Corinthians provocando torcedores adversários nas arquibancadas. Entre as atitudes relatadas estão gestos obscenos e manifestações consideradas incompatíveis com a postura esperada de representantes institucionais.
Diante da repercussão, a presidência do Conselho Deliberativo se posicionou publicamente contra as condutas relatadas e destacou que dirigentes e conselheiros possuem responsabilidades que vão além da condição de torcedores.
“A Presidência do Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista vem a público manifestar seu veemente repúdio às condutas noticiadas durante a partida realizada na Vila Belmiro, envolvendo pessoas que exercem funções na estrutura administrativa e deliberativa do Clube”, iniciou o comunicado.
Na sequência, o órgão ressaltou a importância de preservar a imagem institucional do Corinthians e afirmou que comportamentos ofensivos não condizem com os princípios que devem orientar aqueles que ocupam cargos dentro do clube.
“O Corinthians é uma instituição centenária, cuja grandeza, história e tradição não podem ser confundidas com atitudes incompatíveis com os valores de civilidade, ética e espírito esportivo que devem orientar aqueles que o representam”, destacou.
O Conselho também reconheceu que a rivalidade faz parte do futebol, mas ponderou que a intensidade das emoções não justifica atitudes desrespeitosas, especialmente quando envolvem pessoas associadas à administração de uma instituição esportiva.
“É natural que o futebol desperte paixões, rivalidades e emoções intensas. Entretanto, aqueles que exercem funções de direção ou integram os órgãos deliberativos do Clube possuem responsabilidades que ultrapassam a condição de simples torcedores, sendo-lhes exigida postura compatível com a dignidade dos cargos que ocupam”, afirmou.
Ainda no documento, a presidência condenou expressamente provocações ofensivas e gestos obscenos, ressaltando a necessidade de combater comportamentos que possam contribuir para episódios de violência e discriminação no ambiente esportivo.
“Provocações ofensivas, gestos obscenos e outras manifestações incompatíveis com a convivência esportiva não encontram justificativa na rivalidade entre torcidas, sobretudo quando praticados por pessoas que, em razão de suas funções, estão associadas à imagem da instituição”, declarou o Conselho.
Além de repudiar o episódio, o Corinthians apresentou um pedido público de desculpas ao Santos, responsável por receber a partida na Vila Belmiro, e ao São Paulo, adversário no clássico. A manifestação buscou reafirmar o respeito institucional do clube pelas duas equipes e por seus respectivos torcedores.
“Nesse contexto, o Conselho Deliberativo apresenta publicamente suas desculpas ao Santos Futebol Clube, anfitrião da partida, e ao São Paulo Futebol Clube, adversário naquela ocasião, reafirmando a consideração que o Corinthians dedica a ambas as agremiações, às suas trajetórias e aos seus torcedores”, informou.
A nota também anunciou que os registros divulgados e as informações relacionadas ao episódio serão encaminhados à Comissão de Ética do Corinthians. O órgão ficará responsável por avaliar os fatos e verificar a necessidade de eventuais medidas disciplinares contra dirigentes ou conselheiros envolvidos.
“A Presidência do Conselho Deliberativo informa, ainda, que os fatos noticiados e as imagens divulgadas estão sendo encaminhadas à Comissão de Ética, para avaliação e adoção das providências que entender cabíveis, no âmbito de suas competências estatutárias e regimentais, relativamente aos dirigentes e conselheiros eventualmente envolvidos, asseguradas as garantias pertinentes”, acrescentou.
O encaminhamento não representa, neste momento, a aplicação de punições. Caberá à Comissão de Ética examinar o material disponível, identificar eventuais responsabilidades e decidir sobre as providências previstas nas normas internas do clube, respeitando os procedimentos e as garantias dos envolvidos.
Ao encerrar o posicionamento, a presidência do Conselho Deliberativo reforçou que a imagem do Corinthians deve ser preservada independentemente de quem ocupe cargos administrativos ou políticos dentro da instituição.
“O Corinthians é maior do que qualquer dirigente, conselheiro ou ocupante de cargo institucional. Preservar sua história, sua respeitabilidade e sua imagem pública constitui dever inafastável de todos aqueles que recebem a responsabilidade de representá-lo, dentro e fora do campo”, concluiu.
O episódio ocorreu em uma noite importante para o Corinthians no Campeonato Brasileiro. Com o empate sem gols diante do São Paulo, a equipe comandada por Clarence Seedorf chegou aos 37 pontos e permaneceu na 17ª colocação, dentro da zona de rebaixamento.
Agora, além da preparação para o confronto contra o Botafogo, marcado para 18 de novembro, às 21h30, na Neo Química Arena, o clube terá de lidar com os desdobramentos institucionais do episódio. Até o momento, não foram anunciadas punições ou decisões definitivas da Comissão de Ética em relação às pessoas envolvidas.
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Fonte: Central do Timão











