A diretoria do Corinthians não cumpriu o prazo estatutário para a revisão do orçamento de 2026, um documento essencial para a gestão financeira do clube. Inicialmente programado para ser enviado aos órgãos internos até o final de junho, o planejamento financeiro da gestão atual, sob a liderança do presidente Osmar Stabile, tem sua entrega agora estimada para agosto.
Detalhes do Descumprimento e Impacto Financeiro
Esta postergação contradiz o compromisso previamente assumido pela cúpula corintiana, que em seus balanços financeiros mensais de janeiro a abril, havia prometido a renovação da peça orçamentária "na metade do exercício". No primeiro quadrimestre do ano, o Alvinegro registrou um déficit de R$ 168 milhões, um valor que excede em mais que o dobro os R$ 72 milhões inicialmente orçados para o período. Para o ano de 2026, havia sido projetado um superávit de R$ 12 milhões.
O Artigo 120 do estatuto do Corinthians estabelece a obrigatoriedade da revisão orçamentária na metade do ano, incluindo novas projeções para os seis meses seguintes. O objetivo é renovar o horizonte de 12 meses de planejamento e submeter o orçamento revisto a uma nova aprovação do Conselho Deliberativo.
Padrão de Atrasos em Gestões Anteriores
O descumprimento do prazo estatutário para a revisão orçamentária não é um fato isolado na história recente do Corinthians. Este atraso tem sido recorrente em diversas gestões passadas, incluindo os mandatos de Andrés Sanchez (2020), Duílio Monteiro Alves (2021, 2022 e 2023), Augusto Melo (2024) e, agora, Osmar Stabile (para os orçamentos de 2025 e 2026).
Posicionamento dos Órgãos Internos do Clube
O tema gerou diferentes manifestações entre os presidentes dos órgãos internos do Corinthians. Haroldo Dantas, presidente do Conselho Fiscal (CF), confirmou o vencimento do prazo para envio do documento em junho. No entanto, ele observou que o descumprimento é uma prática comum entre as gestões, sugerindo que a entrega em agosto pela atual diretoria representaria uma "diferenciação positiva".
Miguel Marques, presidente do Conselho de Orientação (CORI), concordou que o não envio da revisão orçamentária até 30 de junho infringe o estatuto. Ele afirmou que analisará a situação e cobrará a gestão atual para que o documento seja apresentado. Já Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo (CD), reiterou a necessidade de cumprimento rigoroso dos prazos estatutários, embora tenha admitido "flexibilizações" pontuais no passado, como em 2025, devido à instabilidade institucional. Ele indicou que o CD analisará a questão caso seja formalmente encaminhada.













