
O Corinthians enfrenta, neste momento, dificuldades para destravar a negociação com o Talleres, da Argentina, envolvendo o pagamento da dívida pela contratação do meia Rodrigo Garro. Como soube o Meu Timão, o clube alvinegro ainda não conseguiu solucionar entraves jurídicos e internos ligados ao compliance para concluir a operação financeira necessária ao acordo com os argentinos.
Inicialmente, o Corinthians deveria realizar o pagamento ao Talleres até o dia 1º de maio. O prazo, porém, foi estendido por mais uma semana, mas novamente não houve a quitação da pendência. Desde então, as tratativas ficaram travadas em meio a imbróglios burocráticos que impedem o avanço definitivo da negociação entre as partes.
As condições estabelecidas no acordo preveem o pagamento à vista de US$ 8,5 milhões (cerca de R$ 42 milhões na cotação atual) ao clube argentino, incluindo juros e demais encargos da operação. Para viabilizar a quantia, a diretoria corinthiana, liderada por Osmar Stabile, recorreu a um empréstimo. Segundo informou a Central do Timão, o valor será obtido junto à Outfield, companhia especializada em investimentos, inteligência e estratégia para esporte e entretenimento.
O débito está ligado à condenação imposta pela Fifa, em fevereiro de 2025, no valor de 3,6 milhões de dólares (cerca de R$ 18,7 milhões). O clube recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS) para evitar um novo transfer ban. As tratativas estavam travadas até então por conta do desgaste na relação entre o ex-presidente Augusto Melo, responsável pela contratação em 2024, e a diretoria do Talleres.
A mudança de postura da atual diretoria do Timão foi determinante para destravar as negociações. O presidente Osmar Stabile esteve pessoalmente na Argentina para se reunir com Andrés Fassi, mandatário do Talleres, cujo gesto foi bem recebido pela cúpula da equipe de Córdoba. No início de abril, Stabile afirmou que o Conselho de Orientação (Cori) do clube deu aval para o plano de pagamento proposto para quitação da dívida.
Nos últimos meses, Stabile também estruturou um grupo interno focado na reorganização financeira do clube no Parque São Jorge, desfeito após as saídas dos coordenadores André Recoder e Gabriel Diniz Abrão. O departamento já teve papel importante na quitação de pendências com o Santos Laguna, do México, referentes à contratação de Félix Torres – situação que encerrou o transfer ban anterior na Fifa -, além da negociação envolvendo Matías Rojas. Esse mesmo comitê participou ativamente das tratativas com o Talleres.
Em meio ao imbróglio envolvendo o Talleres, o Corinthians sofreu um novo transfer ban na Fifa. A punição foi aplicada na última semana em decorrência da dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez. Ainda em setembro de 2025, o clube foi condenado por uma pendência de 1,425 milhão de dólares (cerca de R$ 7,3 milhões) e recorreu da decisão na Corte Arbitral do Esporte. A punição também prevê juros de 15% ao ano sobre o valor da dívida.
Na época presidido por Augusto Melo, o Timão aceitou pagar 1,7 milhão de dólares ao Philadelphia Union pela contratação do volante. No entanto, o Corinthians pagou 200 mil dólares no ato da compra e dividiu o restante em três parcelas, sendo que a primeira venceu em dezembro de 2024. Como o valor não foi recebido conforme o previsto, o time norte-americano acionou a Fifa e venceu o processo contra o clube do Parque São Jorge.
Além deste caso, o Corinthians ainda corre o risco de sofre uma nova sanção. No início deste mês, o CAS determinou que o Timão pagasse mais de R$ 6 milhões ao Midtjylland, da Dinamarca, pelo descumprimento do acordo na contratação do volante Charles, concluída no segundo semestre de 2024, ainda na gestão de Augusto Melo.
A decisão foi publicada em 31 de março deste ano, e o Corinthians tinha um prazo de 45 dias para quitar o débito sob risco de sofrer um novo transfer ban. Nesta quinta-feira, completaram-se 51 dias desde a publicação da sentença.














