
O Corinthians divulgou seu balancete referente ao período encerrado em 30 de abril de 2026. Os números apontam um cenário financeiro preocupante, com déficit acumulado de R$ 168 milhões nos quatro primeiros meses do ano, aumento expressivo das obrigações financeiras e crescimento do passivo a descoberto, que se aproxima de R$ 1 bilhão.
Apesar de registrar receitas acima do previsto no orçamento, o clube continua pressionado por elevados custos operacionais, despesas financeiras e impactos extraordinários que contribuíram para aprofundar o resultado negativo.
Déficit cresce e supera previsão orçamentária
O documento, que possui um resultado acumulado até abril, aponta déficit de R$ 168,048 milhões. O número é significativamente pior que a previsão orçamentária para o período, que estimava perdas de R$ 72,990 milhões. No mesmo intervalo de 2025, o clube havia registrado superávit de R$ 14,930 milhões.
Segundo a administração, três fatores explicam grande parte da diferença entre o resultado realizado e o previsto: o pagamento da premiação pelo título da Copa do Brasil de 2025, impostos incidentes sobre a operação de pagamento ao Santos Laguna pela contratação de Félix Torres e, principalmente, a não realização de vendas de atletas que estavam previstas no orçamento.
Somados, esses fatores representam mais de R$ 113 milhões de impacto negativo nas contas do período, tendo R$ 110 milhões apenas de empréstimos. Sem eles, o déficit acumulado seria de R$ 54,447 milhões, número inclusive inferior ao orçamento originalmente projetado.
Venda de atletas
Um dos principais pontos destacados pela diretoria é a ausência das negociações de jogadores previstas para a primeira janela de transferências.
O orçamento considerava arrecadação líquida de R$ 75 milhões com transferências até abril. No entanto, a administração optou por adiar negociações para priorizar o desempenho esportivo da equipe na Libertadores e buscar uma valorização maior dos ativos.
A expectativa do clube é realizar aproximadamente 25 milhões de euros líquidos em vendas na janela do meio da temporada para cumprir as metas financeiras estabelecidas para 2026. Nomes como de André Luiz e Yuri Alberto receberam sondagens de clubes europeus.
Receitas crescem acima do orçamento
Mesmo com a ausência das vendas de atletas, o Corinthians arrecadou R$ 273,159 milhões em receitas operacionais brutas até abril, valor superior aos R$ 243,123 milhões previstos no orçamento.
Os principais destaques positivos foram:
- Patrocínios: R$ 91,237 milhões;
- Direitos de transmissão: R$ 81,692 milhões;
- Receitas da marca e outras receitas: R$ 46,260 milhões;
- Bilheteria e arrecadação de jogos: R$ 37,160 milhões;
- Contribuições de associados: R$ 15,8 milhões.
Os patrocínios foram a maior fonte de receita do período e superaram em mais de R$ 10 milhões a projeção orçamentária, segundo o documento.
Custos continuam pressionando as contas
Do lado das despesas, os gastos operacionais consumiram R$ 272,190 milhões no quadrimestre, praticamente anulando toda a receita operacional líquida do período.
A principal despesa segue sendo a folha de pagamento, que alcançou R$ 198,076 milhões. Também pesaram nas contas:
- Despesas gerais e administrativas: R$ 43,364 milhões;
- Serviços de terceiros: R$ 18,083 milhões;
- Custos com jogos: R$ 12,666 milhões.
Como consequência, o EBITDA (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) recorrente ficou negativo em R$ 13,375 milhões.
Dívida aumenta e ultrapassa R$ 3,3 bilhões
O balanço patrimonial mostra um crescimento relevante do endividamento. Somando os passivos circulantes e não circulantes, o Corinthians acumulou obrigações de aproximadamente R$ 3,36 bilhões ao final de abril, contra R$ 2,76 bilhões registrados no encerramento de 2025.
Entre os principais compromissos aparecem:
- Parcelamentos tributários: R$ 895,3 milhões;
- Receitas a realizar: R$ 1,15 bilhão;
- Provisões para contingências: R$ 436,8 milhões;
- Empréstimos e financiamentos: R$ 365,7 milhões;
- Fornecedores: R$ 218,3 milhões.
O aumento das receitas a realizar chama atenção. A rubrica passou de R$ 680 milhões no fim de 2025 para mais de R$ 1,15 bilhão em abril de 2026.
Outro indicador preocupante é o patrimônio líquido negativo. O chamado passivo a descoberto alcançou R$ 942,8 milhões, piorando em relação aos R$ 774,2 milhões registrados em dezembro de 2025. Há um ano, o valor era de R$ 410,8 milhões negativos. O déficit acumulado na história do clube também cresceu e atingiu R$ 1,414 bilhão.
Caixa diminui
O Corinthians encerrou abril com R$ 14,5 milhões em caixa e equivalentes de caixa, valor inferior aos R$ 26 milhões existentes no encerramento de 2025 e distante dos R$ 28,5 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
Por outro lado, as contas a receber aumentaram significativamente e já ultrapassam R$ 1,2 bilhão quando considerados os valores de curto e longo prazo.
A administração informou que realizará uma revisão orçamentária no meio do exercício, conforme prevê o estatuto do clube. O objetivo será atualizar as projeções para o segundo semestre, considerando os acontecimentos dos primeiros seis meses do ano.
Com déficit elevado, caixa reduzido e expectativa de arrecadação relevante através da venda de atletas, a próxima janela de transferências aparece como um dos fatores centrais para que o Corinthians consiga reduzir a pressão sobre suas contas e aproximar os resultados financeiros das metas estabelecidas para 2026.













