O histórico Estádio Azteca, palco de momentos icônicos, prepara-se para sediar sua terceira abertura de Copa do Mundo. Observando a filha de cinco anos, o autor reflete sobre as memórias que a edição de 2026 poderá gerar, e a expectativa pela chegada de um novo filho em um ano de Mundial.
A Copa como Marcador Temporal da Vida
A memória pessoal é frequentemente organizada em ciclos de quatro anos, tendo a Copa do Mundo como um marco indelével. Perguntas sobre onde se morava em 1990, com quem se namorava em 2002, ou onde se trabalhava em 2006, são respondidas com a evocação do torneio.
Recordações da infância superam as da cobertura jornalística, com a Copa de 90, aos oito anos, sendo a mais vívida. A experiência incluía preencher tabelas a lápis, colecionar figurinhas, a frustração da eliminação brasileira em 1990, e a surpresa com lances memoráveis como o gol de Roger Milla após erro de Higuita e o pênalti de Brehme na final.
O Torneio como Oração ao Tempo e Devoção à Infância
A Copa do Mundo é concebida como uma 'oração ao tempo', um guardião de lembranças preciosas que transcendem o cotidiano, preservando momentos como o chute de Branco, o grito de Galvão, o cabelo 'cascão' de Ronaldo, a genialidade de Zidane e Henry, a dor da maior derrota brasileira, e a jornada de Messi da perda à glória.
Paralelamente, o evento é uma 'devoção à infância', revisitada ao observar crianças trocando figurinhas e jogando 'bafo', remetendo a uma pureza de experiência. O desejo é desfrutar do jogo sem as complexidades táticas, estatísticas, polêmicas ou influências digitais.
O técnico Carlo Ancelotti, ao completar 67 anos, enfrenta um desafio inédito em sua carreira com a Copa do Mundo, adicionando outra camada à riqueza de narrativas que envolvem o Mundial.
O Significado Profundo do Futebol
Questionado pela filha sobre a paixão pelo futebol, o autor revela que a razão vai além do trabalho. O esporte contém a essência dos melhores romances, a pulsão do teatro shakespeariano, a precisão de uma orquestra, a leveza do balé, a explosão do rock, a estratégia da guerra, o caos da vida, a iminência da morte e, acima de tudo, a beleza.
Por ora, a intenção é criar as primeiras memórias da filha com a Copa do Mundo, vestindo a camisa da Seleção, compartilhando pipoca durante os jogos e celebrando gols, esperando que o irmão, no futuro, compreenda a profundidade desse universo.
Fonte: https://ge.globo.com













