
O Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians realizou, nesta segunda-feira, a continuação da reunião iniciada na última semana para julgar parte dos envolvidos nos atos de 31 de maio de 2025, quando associados e conselheiros aliados do ex-presidente Augusto Melo (então afastado cautelarmente) invadiram o Parque São Jorge e tentaram recolocá-lo no cargo.
Augusto foi o único julgado até então, sendo expulso pelos conselheiros no dia 1º de junho, em votação expressiva, seguindo o parecer da Comissão de Ética e Disciplina (CE). Restaram outros quatro pareceres de expulsão para serem analisados: Maria Angela Ocampos, primeira-secretária do CD, e Mario Mello Junior, Paulo Juricic e Ronaldo Fernandez Tomé, os três membros da CE. Com exceção de Mario, cuja votação não foi realizada por motivos médicos, todos foram expulsos.
Todos tiveram papéis ativos na tentativa de recondução do ex-presidente ao cargo no episódio. Estes julgamentos seriam realizados na semana passada, mas foram adiados após Maria Ângela solicitar a suspensão da análise do seu processo devido a um problema familiar. Nesta segunda, porém, o julgamento ocorreu.
Inicialmente, a conselheira recorreu do parecer da Ética que recomendava sua expulsão, mas teve o pedido negado por 111 votos contra e 21 a favor, com três abstenções. Em seguida, o parecer foi lido e Maria Angela apresentou sua defesa. Ao fim, o plenário votou o parecer da Ética, aprovando sua expulsão por 111 votos a favor e 23 votos contra.
O próximo parecer a ser analisado seria do conselheiro Mário Mello Júnior. No entanto, antes de a análise ser iniciada, ele precisou ser atendido por estar passando mal e foi levado à enfermaria do Parque São Jorge. Com isso, Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do CD, e que conduziu os trabalhos da mesa durante toda esta segunda, questionou o conselheiro Paulo Juricic se este aceitaria ter o seu julgamento antecipado, a fim de evitar o adiamento completo da reunião. Juricic aceitou.
Com isso, o CD passou a analisar o recurso movido por Juricic, que também acabou rejeitado pelo plenário. Após a leitura do parecer e da sua própria defesa, então os conselheiros votaram a recomendação da Ética, concordando com a expulsão do conselheiro por 86 votos a favor e 21 contra.
Na sequência, foi a vez de Ronaldo Fernandez Tomé ter seu caso analisado. Assim como ocorreu com Maria Angela e Paulo Juricic, inicialmente o CD deliberou sobre um recurso contra o parecer da CE, que foi igualmente rejeitado pelos conselheiros. Por fim, após a leitura do parecer e a realização da defesa, Tomé acabou também expulso por 88 votos a favor e 24 contra.
Após a proclamação deste resultado, a reunião do CD voltou a ser adiada, para análise dos outros casos pendentes, em data ainda a definir por Pantaleão.
Além deles, os conselheiros Carlos Eduardo Melo Silva, Laercio Ferreira Victoria, Leandro Olmedila, Marcos Coelho Abdo, Paulo Rogério Pinheiro Jr., Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos, Rodrigo Simonnini Gonzalez e Wanderson Contrera Salles também estiveram sob análise do órgão e poderão sofrer punições que variam entre advertência e suspensão do quadro de conselheiros em razão do envolvimento no episódio.
A invasão vem sendo analisada pelos órgãos internos do Corinthians desde meados de 2025 e ganhou novos desdobramentos em maio deste ano, quando a Comissão de Ética emitiu parecer recomendando punições aos envolvidos. A reunião desta segunda-feira será conduzida por Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo.
O parecer da Ética sugeriu a suspensão por seis meses dos conselheiros Carlos Eduardo Melo Silva, Rodrigo Simonini Gonzales e Wanderson Contrera Salles. Além disso, afastamento de três meses para Marcos Coelho Abdo e Paulo Rogério Pinheiro Junior. Já para Laercio Ferreira Victoria, Leandro Olmedila e Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos, a recomendação é de advertência. No caso de Peterson, Rodrigo Vicente Bittar, integrante da Comissão de Ética, se absteve.












