
A diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou, nesta segunda-feira, um estudo aos representantes dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro com o objetivo de viabilizar a criação de uma liga única. O Corinthians foi representado no evento por Gabriel Diniz e André Lavieri, ambos do Comitê de Reestruturação do clube.
Atualmente organizados em dois blocos comerciais, Libra e FFU (Futebol Forte União, o qual o Corinthians faz parte), os clubes receberam da entidade um cronograma inicial. Até o fim de julho, os dirigentes poderão enviar propostas e sugestões, enquanto a expectativa da CBF é concluir e lançar o estatuto da nova liga até o final deste ano.
A CBF propôs o seguinte cronograma para a criação da nova liga:
- Maio a julho de 2026: coleta de sugestões e elaboração de propostas de encaminhamento;
- Agosto a setembro de 2026: apresentação, ajustes e aprovação das propostas;
- Outubro a dezembro de 2026: estruturação das fases – comercialização e estatuto da liga.
A reunião realizada na tarde desta segunda-feira, em um hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, teve como objetivo apresentar um diagnóstico elaborado pela Confederação Brasileira de Futebol, comparando o cenário nacional com as principais ligas do mundo, como a Premier League, a La Liga e a Bundesliga.
Durante o encontro, os dirigentes da entidade defenderam que, antes de discutir a divisão das receitas do futebol brasileiro — tema recorrente em disputas comerciais, como a recente envolvendo o Flamengo e os clubes da Libra —, é necessário ampliar significativamente o valor total gerado. Além disso, qualquer novo acordo relacionado aos direitos de transmissão só passaria a valer a partir de 2030, já que os contratos atuais dos blocos comerciais seguem vigentes até 2029.
A CBF também destacou a diferença de arrecadação em relação a outras ligas. Segundo o estudo, o futebol brasileiro gera menos de um terço da receita da Bundesliga, mesmo com o Brasil tendo uma população muito maior e mais clubes na elite.
Outro ponto levantado foi o potencial de mercado: cerca de 140 milhões de brasileiros torcem para algum clube, sendo aproximadamente 40 milhões considerados apaixonados pelo futebol. Para a entidade, isso indica que o produto ainda está abaixo do seu real valor e possui grande margem de crescimento.
O levantamento também apontou desafios estruturais que vêm sendo discutidos nos últimos anos, como arbitragem, calendário e fair play financeiro. Ao todo, a CBF organizou a análise em dez aspectos do futebol nacional, comparando-os com as ligas da Inglaterra, Espanha e Alemanha — com o Brasil ficando atrás em todos os critérios avaliados, sendo eles:
- Calendário
- Tempo de jogo
- Estádio – público e segurança
- Estádio – infraestrutura
- Transmissão
- Comunicação e redes sociais
- Marketing
- Êxodo de talentos
- Governança do Regulamento
- Sustentabilidade financeira
O estudo analisou, por exemplo, a proporção de partidas realizadas durante o dia — com início até as 16h30 — e apontou um contraste relevante em relação às principais ligas do mundo. No Brasil, cerca de 80% dos jogos acontecem à noite, enquanto na Inglaterra esse índice é de aproximadamente 25%. Na Espanha, chega a 60%, e na Alemanha, a cerca de 30%.
De acordo com a CBF, esse fator pode influenciar diretamente na presença de público nos estádios, que também é inferior no país em comparação com essas ligas. Um levantamento recente indicou que 74% dos torcedores apontam a insegurança como um dos principais obstáculos para frequentar partidas.
Além das questões ligadas à melhoria do produto, a entidade também citou exemplos de ligas estrangeiras que padronizaram transmissões e ampliaram sua presença nas redes sociais como caminhos para crescimento. Ao mesmo tempo, pretende transferir para uma futura liga de clubes debates mais sensíveis.
Entre eles, está a discussão sobre o uso de gramados sintéticos — atualmente adotados por clubes como Atlético-MG, Athletico, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras na Série A —, tema que enfrenta resistência da maioria das equipes. Outro ponto em pauta é a possível redução no número de rebaixados, passando de quatro para três no futuro, além da revisão das regras sobre a quantidade de jogadores estrangeiros permitidos por partida, que hoje é de nove.














