A seleção belga se prepara para a Copa do Mundo de 2026 com uma abordagem renovada e sem a intensa pressão de edições anteriores. Embora ainda conte com nomes lendários como Lukaku e De Bruyne, remanescentes da equipe que eliminou o Brasil e conquistou o 3º lugar em 2018, o contexto e a filosofia de jogo evoluíram. Após a Eurocopa, a Bélgica, sob a direção do treinador Rudi Garcia, adotou um estilo mais direto, rápido e agressivo, com Jeremy Doku, ponta do Manchester City, emergindo como um novo protagonista.
Esquema Tático e Time Base
O ponto de partida tático da Bélgica é um 4-2-3-1, que permite a centralização de jogadores chave como De Bruyne e Lukaku. Este esquema é o alicerce para uma série de movimentações dinâmicas em campo: Doku e Trossard atuam mais fixos nas laterais, enquanto Tielemans e Onana se projetam ao ataque, complementando uma defesa mais compacta que evita subir a marcação constantemente.
A provável escalação titular apresenta Courtois no gol; Castagne, Debast, Faes e De Cuyper na linha defensiva. No meio-campo, Onana e Tielemans formam a dupla central, com uma trinca de meias ofensivos composta por Doku, De Bruyne e um terceiro jogador, sustentando as ações de ataque.
Início das Jogadas: A 'Saída Sustentada'
A Bélgica adota a estratégia da 'saída sustentada' para construir suas jogadas. Este método envolve o recuo do lateral no lado da bola, enquanto o volante e o meia central, como De Bruyne, buscam a aproximação para receber e trocar passes. A intenção é criar superioridade numérica na construção e atrair a marcação adversária.
A fluidez do sistema permite que o lateral avance enquanto Onana busca a bola pelas laterais. Essa movimentação visa posicionar o forte setor ofensivo da equipe no campo de ataque, garantindo que recebam a bola em condições ideais para progredir e criar oportunidades de gol.
Padrão Ofensivo e Agressividade
Em sua faceta ofensiva, a Bélgica se destaca pelas jogadas em profundidade. No flanco esquerdo, Jeremy Doku é acionado com frequência, formando uma conexão potente com De Bruyne. No lado direito, Trossard adota uma abordagem mais associativa, priorizando a troca de passes em vez da progressão individual. Juntos com Lukaku e De Bruyne, formam um dos quartetos ofensivos mais eficazes do cenário atual.
Kevin De Bruyne, em um momento de maturidade, mantém-se como o centro nevrálgico e principal armador da equipe. Sua contribuição ofensiva agora se manifesta em menos chegadas à área, porém com maior qualidade e aproveitamento dos espaços, refletindo sua evolução tática.
Estratégia Defensiva
Garcia implementou uma filosofia defensiva proativa, abandonando a postura mais recuada vista em gestões anteriores. O time belga agora adota uma marcação alta constante, buscando fechar as linhas de passe do adversário e recuperar a posse de bola rapidamente no campo ofensivo, para acionar o ataque em velocidade.
Neste esquema, Amadou Onana, recém-campeão da Liga Europa, é um pilar fundamental. Sua capacidade de subir a marcação e fechar espaços é crucial, e sua experiência como primeiro volante aprimorou sua leitura de jogo. No entanto, o sistema apresenta fragilidades quando a bola é roubada pelo meio, nas costas de Onana e Tielemans, especialmente contra equipes físicas ou com atacantes que exploram a profundidade, como evidenciado no amistoso contra o México.
Protagonistas e Expectativas
Embora esta não seja necessariamente a 'última dança' de Kevin De Bruyne pela seleção, é sua derradeira oportunidade de atuar em uma Copa do Mundo em plenas condições físicas. Ele compartilha o protagonismo com novos talentos como Doku, Trossard e outros jogadores que orbitam ao seu redor, complementando suas qualidades.
A Bélgica integra um dos grupos mais acessíveis da Copa do Mundo, enfrentando Egito, Irã e Nova Zelândia. A expectativa é de uma classificação tranquila para a fase eliminatória. Sem a pressão exacerbada do passado, mas com a inegável qualidade do elenco, a equipe tem potencial para uma campanha de destaque, tal como em edições anteriores.
Fonte: https://ge.globo.com













