O São Paulo tem demonstrado a implementação de um novo modelo de jogo sob a batuta de Roger Machado, focado na utilização de dois pontas. Os recentes resultados, um empate contra o Internacional e uma vitória expressiva de 4 a 1 sobre o Cruzeiro pelo Brasileirão 2026, ilustram as adaptações táticas da equipe.
Inicialmente, o desejo de Roger Machado de atuar com dois atacantes abertos enfrentou desafios. Apesar de herdar o esquema tático de seu antecessor, o treinador insistiu na contratação de Artur e progressivamente consolidou sua filosofia. Contra o Cruzeiro, o time atuou em um 4-4-2, com Ferreira pela esquerda, Artur pela direita e a dupla Luciano-Calleri centralizada no ataque.
Detalhamento do Modelo de Jogo de Roger Machado
A transição do São Paulo sob Roger Machado abrange diversas fases do jogo, desde a construção ofensiva até a mobilidade no meio-campo. A seguir, exploramos os pilares táticos que definem a nova identidade da equipe.
Saída de Bola em 'Três' e Laterais Construtores
O Tricolor mantém sua postura ofensiva e a prioridade na saída de bola construída desde a defesa. A inovação de Roger reside na aproximação de um volante, como Bobadilla, aos zagueiros, formando uma 'saída de três'. Este movimento permite que Marcos Antônio atue mais à frente, na ligação. Com dois jogadores abertos nas pontas, os laterais (Wendell ou Ramon) podem permanecer mais recuados, participando da troca de passes e atraindo a marcação adversária, o que abre espaços no ataque.
Ataque pelos Lados e Presença na Área
Com Marcos Antônio sendo o elo central, o treinador busca passes mais longos e incisivos, priorizando os ataques pelos lados do campo. A escolha por pontas como Ferreira, Tapia e Artur se justifica pela capacidade desses atletas de conduzir a bola e driblar. A ideia é que eles recebam a bola em situações de mano a mano, prontos para a progressão e finalização. O conceito remete aos 'externos desequilibrantes', visando criar situações de superioridade individual no terço final do campo.
Triangulações e Mobilidade no Meio-campo
Embora o ataque direto seja uma meta, Roger Machado reconhece a necessidade de variação. Em momentos de cadência, o São Paulo é incentivado a trocar mais passes. No sistema 4-4-2, volantes e atacantes realizam movimentações ao redor dos pontas, formando diversas triangulações. Essa estratégia elimina a necessidade de um jogador do meio-campo buscar a 'terceira amplitude', pois os dois pontas já garantem a largura necessária para prender a bola e aproximar a equipe do ataque.
A goleada contra o Cruzeiro serve como um vislumbre do potencial do São Paulo sob Roger Machado. Apesar das críticas iniciais, o treinador acumula 20 pontos em 10 jogos no Brasileirão, um aproveitamento digno de equipes postulantes ao G-4. O trabalho, que enfatiza a qualidade tática e a persistência na ideia de jogo com dois pontas, demonstra resultados promissores em um ambiente desafiador.
Fonte: https://ge.globo.com














