O movimento "Expulsão Já!" elevou o tom das cobranças à cúpula do Corinthians, enviando uma notificação formal na última quinta-feira (9). O documento exige garantias públicas sobre a condução do processo disciplinar contra o ex-presidente Andrés Sanchez, ao qual a Central do Timão teve acesso. A comunicação foi encaminhada e teve seu recebimento confirmado pelos presidentes da Diretoria, do Conselho Deliberativo e da Comissão de Ética e Disciplina, Osmar Stabile, Romeu Tuma Jr. e Leonardo Pantaleão, respectivamente. O grupo manifesta preocupação com a segurança jurídica do rito e alerta para eventuais falhas que possam comprometer a validade do julgamento.
Risco de Anulação por Possível Acúmulo de Funções
O principal ponto destacado pelo movimento é a possível acumulação de funções entre órgãos do clube. A preocupação central reside na hipótese de o presidente da Comissão de Ética assumir interinamente a presidência do Conselho Deliberativo, em meio à tentativa de afastamento do atual presidente. Segundo o grupo, essa sobreposição de competências poderia configurar um conflito, gerar um vício processual e abrir margem para que a defesa de Andrés Sanchez questione o procedimento e busque sua anulação em instâncias superiores. Tal cenário, na avaliação dos signatários, representaria um risco concreto de retorno do ex-mandatário ao quadro associativo do Corinthians.
Andamento do Processo Disciplinar e Exigência de Rito Impecável
Na última segunda-feira (6), a defesa de Andrés Sanchez apresentou suas alegações finais no processo disciplinar, que investiga gastos realizados com o cartão corporativo durante sua gestão. O parecer do presidente da Comissão de Ética é favorável à expulsão do ex-presidente do quadro associativo, embora a decisão final caiba ao plenário do Conselho Deliberativo. Apesar de defender a celeridade na condução do caso, o movimento enfatiza que a prioridade deve ser a adoção de um rito “irrepreensível”, estritamente alinhado às normas estatutárias. O grupo destaca que “o combate à impunidade exige rigor e não pode abrir margem para anulações futuras”, mencionando a instabilidade institucional vivida pelo Corinthians como um fator adicional de preocupação.
Responsabilização da Gestão e Prazo para Posicionamento Público
O documento vai além do alerta técnico e estabelece uma responsabilização direta da atual gestão em caso de eventuais falhas. De acordo com o grupo, qualquer nulidade decorrente de erros formais ou administrativos deverá recair sobre os dirigentes responsáveis pela condução do processo, com possibilidade de responsabilização pessoal e política, conforme previsto nas normas internas do clube e na Lei Geral do Esporte. O movimento também exige um posicionamento público por parte dos dirigentes, estipulando o prazo até a próxima segunda-feira (13) para que apresentem esclarecimentos formais e garantam a lisura do procedimento, considerando que a Comissão de Ética dispõe de até cinco dias úteis para analisar o relatório antes de encaminhá-lo ao Conselho Deliberativo para votação.
Sobre o Movimento “Expulsão Já!”
O movimento “Expulsão Já!” é uma iniciativa vinculada ao Projeto Time do Povo. Ele tem atuado tanto na fiscalização das instâncias internas do clube quanto na articulação de mobilizações em defesa da responsabilização dos três ex-presidentes investigados por suposto uso de recursos do Corinthians para fins pessoais: Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo. Um abaixo-assinado promovido pelo grupo já ultrapassa 48 mil assinaturas e reúne o apoio de dezenas de influenciadores, coletivos e torcidas organizadas ligadas ao clube.













