A Justiça de São Paulo ameaçou nomear um interventor judicial no Corinthians, após o clube declarar cerca de R$ 150 milhões a menos de receitas no mês de fevereiro.
A decisão foi publicada na noite desta quarta-feira e mandou intimar o clube para se manifestar quanto às inconsistências, reveladas pela ESPN há alguns dias.
“Intime-se o executado para manifestação quanto às inconsistências apontadas na declaração de receitas de fevereiro de 2026. Advirto, desde já, que a resistência no fornecimento de documentos e a apresentação de declarações de receitas inconsistentes acarretarão a nomeação de observador judicial ou interventor judicial, para garantir a efetividade e a lisura deste processo”, ameaçou o juiz Guilherme Cavalcanti Lamêgo.
O Corinthians deixou de declarar cerca de R$ 150 milhões em receitas de fevereiro nos documentos enviados ao RCE (Regime de Centralização de Execuções), mecanismo com o qual o clube conseguiu o parcelamento de suas dívidas executadas na Justiça.
Essa informação consta em petição anexada no processo pelo perito nomeado pelo tribunal para cuidar do caso. O documento destacou que o clube declarou entradas de exatos R$ 64.202.368,75 em fevereiro, enquanto a análise do administrador judicial é que o clube recebeu R$ 213.414.738,29.
Existe, no total, uma diferença de R$ 149.212.369,37 entre o que foi declarado e o que de fato entrou nas contas alvinegras.
O administrador pediu que o clube fosse intimado a se manifestar sobre essas informações, além de disponibilizar os recursos decorrentes de vendas de atletas para a realização de leilão reverso. Caso contrário, essas verbas entrariam no pagamento do mês seguinte.
O fato foi revelado pela ESPN no dia 17 de março. Em seguida, o empresário André Cury, que representa o atacante Yuri Alberto e pode receber até R$ 40 milhões em dívidas no RCE, se manifestou no processo pedindo a suspensão do regime. Até porque a declaração de receitas menores por parte do Corinthians ocorreu na véspera do início dos pagamentos.
O plano de pagamento homologado pela Justiça prevê a quitação dos débitos com um percentual variável das receitas do clube, com mínimo obrigatório de 4% no primeiro ano, 5% no segundo e 6% a partir do terceiro, além de propor análise anual e proporção de 30% para credores preferenciais e 70% para credores comuns, entre outras coisas.
Segundo documentos anexados pela perícia, o clube possuía, no dia 24 de fevereiro, R$ 20.263.768,87 em suas contas bancárias. O profissional fez um plano de rateio entre os credores que devem começar a receber a partir do início dos pagamentos, colocando uma dívida imediata de cerca de R$ 226 milhões.
O valor é inferior aos cerca de R$ 700 milhões totais listados no decorrer do RCE como “perdas prováveis”.
Procurado pela ESPN na ocasião da revelação das receitas inferiores, o Corinthians disse que não foi formalmente intimado sobre a manifestação e apontou “que trata-se de valor gerencial de caixa que será conciliado à contabilidade, conjuntamente ao administrador judicial”. O clube foi novamente consultado nesta quinta, mas ainda não se manifestou. A reportagem será atualizada caso o time alvinegro envie posicionamento oficial.
O Corinthians já havia se manifestado no processo explicando os R$ 150 milhões, dizendo que “trata-se de uma ‘divergência apenas aparente’. O Corinthians explicou que os valores inferiores observados pelo administrador judicial são diferenciados por receitas operacionais, não operacionais ou que seriam utilizados em outras formas de rateio, como o leilão reverso, previsto no RCE”. O juiz ainda não apreciou a manifestação do clube.












