Gerson contra-atacou o Flamengo na Justiça do Rio de Janeiro. Em contestação enviada ao tribunal na noite desta quarta-feira (1), o jogador não poupou críticas ao clube que o consagrou. Chamou o processo do time de covarde, se disse traído e apontou que o clube está “cego pelo desejo argente de vingança”.
A ESPN, que revelou a briga jurídica entre Gerson e Flamengo, teve acesso ao documento.
“Cego pelo desejo ardente de vingança, o CRF sustentou inverdades sobre o rompimento do vínculo jurídico-trabalhista-desportivo e, ainda, inconsequentemente, denegriu a imagem do atleta ao tentar cobrar em Juízo multa completamente incabível (sem previsão contratual – cf. cláusula 6.2 do instrumento de imagem) e através de um instrumento extinto/rescindido por cumprimento integral”, disse Gerson, por meio de seus advogados.
O atleta disse que assinou um papel manuscrito com pedido de demissão por orientação do clube, e que se sentiu traído.
“Gerson assinou vários outros documentos e instrumentos contratuais sem data e na mais pura confiança ao CRF. O Atleta nunca imaginou que pudesse ser traído pelo clube que, juntamente com os seus companheiros, ele tanto ajudou”, apontou.
Para o atleta, tudo não passa de uma trama vingativa pelo fato de ele ter acertado com o Cruzeiro, definido pelo próprio Flamengo no processo como “um rival direto”.
“Gerson descobriu que está sendo vítima de uma sede de vingança do atual Presidente do Flamengo que não suportou o fato do Atleta ter sido contratado e repatriado do futebol russo ao Brasil justamente pelo clube Mineiro Cruzeiro Esporte Clube. Quiçá porque o atual Diretor de Futebol do Cruzeiro (Sr. Bruno Spindel) foi demitido do Flamengo pelo atual Presidente Rubro-negro. E a peça exordial não foi tímida em revelar essa sede de vingança”, apontaram os advogados do atleta.
Ele também fez analogias com lobos e cordeiros para descrever a situação e disse que “vem sofrendo como um cordeiro mudo levado ao matadouro”.
A clássica anedota do atleta mercenário e do clube injustiçado. Mas, Excelência, o que temos, aqui, verdadeiramente se traduz naquela velha e conhecida expressão “lobo vestido em pele de cordeiro”! E, como será revelado mais adiante, certamente a “pequena alcateia rubro-negra”, cujo lado mau era até então desconhecido pelo “cordeiro”, nunca imaginou que a ganância desmedida representará a salvação da presa fácil. Sim, nem sempre a caçada é exitosa”, escreveu a defesa de Gerson.
O jogador continuou duvidando da boa-fé do Flamengo no processo, ao apontar que o clube recebeu 25 milhões de euros pela transferência.
“A pretensão rubro-negra, data vênia, se revela totalmente ilegal, imoral e beira as raias do irracional! E é tão irracional que chega a ser pueril! Realmente, o ódio cega! O CRF recebeu nada mais nada menos do que 25 milhões de euros e o contrato objeto da lide foi extinto com base na cláusula 6.2. Pois bem, dito isto, apenas por retórica, será que alguém no CRF teve a coragem de dizer ao Atleta: olha, Gerson, assine o contrato de transferência, o Flamengo receberá 25 milhões de euros, mas não se esqueça de pagar a multa do contrato de imagem, tudo bem? Honestamente, dizer que o CRF agiu divorciado da boa-fé seria eufemismo. Má-fé é mais sincero!”, disse o atleta.
Em fevereiro, o Flamengo apontou ao tribunal que Gerson lhe causou prejuízo ao acertar com o Cruzeiro, o que acabou sendo o principal fator motivador para a briga nos tribunais.
“O Flamengo investiu cifras históricas, estruturou um projeto esportivo e mercadológico de longo prazo e associou sua marca à imagem de um atleta que, até então, se consolidava como ídolo de sua torcida; contudo, foi abruptamente privado de qualquer possibilidade de exploração desse ativo imaterial e, agora, vê-se na inusitada posição de assistir à utilização da mesma imagem — que, diga-se, foi construída, valorizada e projetada enquanto vestia o manto rubro-negro — por um rival direto”, disse o clube, em documento obtido pelo ESPN.com.br.
O Fla demonstrou insatisfação e deixou claro que a abertura do processo foi motivada, especialmente, pelo acerto de Gerson com o clube mineiro.
“O Flamengo não apenas deixou de usufruir da imagem de um atleta que simbolizava conquistas recentes e forte identificação com sua torcida, como passou a sofrer um prejuízo adicional e qualitativamente mais grave: a associação pública do atleta a uma instituição concorrente, que se beneficiará esportiva, comercial e simbolicamente de uma imagem que o Flamengo ajudou decisivamente a construir, sem ter colhido o retorno econômico correspondente pelo prazo pactuado e legitimamente esperado”, apontou o clube.
O clube quer o ressarcimento pela rescisão unilateral do contrato de imagem feito com o atleta três meses antes e cobra uma multa estipulada em contrato pelo investimento de longo prazo, já que teve sus expectativas frustradas com a ida de Gerson ao Zenit.
A multa prevista é de 57 meses que não foram cumpridos na rescisão antecipada, com R$ 750 mil por mês que estavam previstos.











