A chegada de Luis Zubeldía ao Fluminense marcou o início de uma imersão total na rotina do clube. O treinador argentino é amplamente considerado um “workaholic” pelas pessoas próximas, dedicando-se incansavelmente ao dia a dia do time. Apesar da intensidade profissional, um raro momento de alegria pessoal, após um jogo, revelou seu desejo de rever a mãe, destacando um lado mais íntimo e a escassez de pausas em sua agenda.
A Paixão Arraigada pelo Futebol
Zubeldía se destaca por ser um dos primeiros a chegar e dos últimos a sair do CT Carlos Castilho, exemplificando sua dedicação extrema. Essa imersão no trabalho é confirmada por atletas como o volante Alisson, que o descreveu como um profissional que "vive o futebol", priorizando a equipe acima de tudo.
As poucas folgas do treinador são aproveitadas no aconchego do lar, muitas vezes em sua estante de livros, que curiosamente inclui títulos sobre o Fluminense e a história do futebol. Mesmo em períodos de festividades, como o Natal e o Ano Novo, Zubeldía demonstra sua prioridade ao retornar antecipadamente ao Rio de Janeiro para retomar as atividades no clube.
Um Perfil Reservado Longe dos Holofotes
O treinador mantém um perfil discreto, raramente concedendo entrevistas fora das coletivas de imprensa pós-jogos. Essa postura reflete sua crença de que os "louros" devem ser colhidos apenas ao final do trabalho, evitando a exposição desnecessária e mantendo o foco nos objetivos do clube. Sua presença em público é quase inexistente, reforçando sua natureza reservada.
A tendência à reclusão, já observada durante sua passagem pelo São Paulo, acentuou-se no Rio de Janeiro. A intensa rotina do Fluminense, aliada à pressão do calendário do futebol brasileiro, levou a uma restrição ainda maior de sua vida pessoal fora das dependências do clube.
Impacto na Saúde e Mudança de Hábitos
A vida de Zubeldía foi marcada por um susto em janeiro, quando precisou implantar quatro stents no coração. O próprio treinador atribuiu o problema ao colesterol alto, fatores hereditários e, principalmente, à maneira como ele encara a intensidade do futebol. Este evento crítico, aos 45 anos, impulsionou mudanças significativas em seus hábitos alimentares e cuidados com a saúde.
Apesar da preocupação com a saúde, a intensidade no trabalho persiste inalterada. A chegada da esposa e filha ao Rio de Janeiro, no mesmo período do problema cardíaco, trouxe um suporte familiar importante, mas a dedicação profissional de Zubeldía continua sendo a força motriz de sua rotina.
O Lar Como Refúgio e Espelho de Uma Carreira
Vivendo em um apartamento na Barra da Tijuca, Zubeldía encontrou no lar seu principal refúgio. Sua estante pessoal revela uma paixão por história, com obras sobre o Fluminense, a seleção brasileira de 1982 e biografias de técnicos renomados, misturadas aos trabalhos escolares de sua filha. A decoração minimalista do espaço reflete sua visão pragmática sobre a instabilidade da profissão.
Em uma conversa com o diretor esportivo, Zubeldía expressou sua hesitação em decorar o apartamento, uma metáfora para a imprevisibilidade da carreira de treinador no Brasil, onde a média de permanência é curta. Essa mentalidade reforça sua prioridade no presente e no trabalho contínuo, ao invés de fixar raízes em um ambiente que ele vê como transitório.
Fonte: https://ge.globo.com












