O associativo do Botafogo entrou com uma petição na última quarta-feira (25), na 21ª Câmara de Direito Privado do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), para tentar derrubar a liminar que mantém John Textor à frente do clube.
O documento, ao qual a ESPN teve acesso, tem como objetivo suspender a liminar de outubro do ano passado. Nele, o Associativo reforça que o empresário norte-americano tem promovido uma ”gestão temerária na SAF” e afirma que o clube virou uma ”moeda de troca e barganha” por causa das negociações conduzidas por Textor de jogadores do Glorioso para times clubes da Eagle Footbal Holding, como Lyon, da França, e RWDM Brussels, da Bélgica.
”Oportunizado o contraditório, e conhecidos os termos da resposta apresentada pela SAF Botafogo, a conclusão a que se chega é que cada parte imputa à outra a responsabilidade pelo alegado rombo, seja por gestão temerária, seja por condutas que teriam resultado em desvio de recursos ou obrigações legais inadimplidas”, diz trecho da petição.
”Isso porque o futebol do Botafogo, ou melhor, a receita por ele gerada, virou verdadeira ‘moeda de troca e barganha’ entre os investidores estrangeiros nesse contexto de disputa de controle societário”, defende o clube social.
O Associativo alega ainda Textor tenta ”mascarar a realidade financeira” do clube e alerta para “o risco de novas operações” conduzidas pelo americano.
”Há, ainda, o risco de que a administração atual esteja realizando novas operações de crédito e de antecipação de receita, em condições desvantajosas para a SAF Botafogo, com o objetivo de mascarar a realidade financeira da SAF Botafogo, gerando em todos, sobretudo nos torcedores, a falsa sensação de regularidade e de boa gestão”, reforça a petição.
No documento, o clube social reafirma que a SAF do Botafogo está descumprindo a última liminar, uma vez que continua não repassando informações ao Associativo.
”Com vistas a auxiliar V. Exa. na resolução dessa questão controvertida, cabe, antes, contextualizá-lo do quadro de descumprimento e de falta de transparência informacional por parte da atual gestão da SAF Botafogo”, salienta trecho da petição.
”Observe-se que a referida comunicação, oriunda da vice-presidência executiva da SAF, limitou-se a compartilhar dados gerais relativos às transferências e aquisições de jogadores realizadas no período de dezembro de 2025 a janeiro de 2026, especificamente preço final e formas e condições de pagamento dos preços pactuados nessas transações, sendo absolutamente silente quanto aos demais temas sensíveis, como:
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(i) aportes financeiros;
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ii) venda de outros ativos;
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(iii) negociações com investidores;
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(iv) eventuais despesas extraordinárias; e/ou
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(v) outros atos com impacto econômico relevantes
Na última quarta-feira (25), a Justiça do Rio de Janeiro extinguiu o processo que envolve John Textor, o grupo Eagle Football Holdings, o Botafogo social e a SAF da equipe alvinegra, que vinha tramitando nos tribunais cariocas desde agosto do ano passado.
Na decisão, à qual a ESPN também teve acesso, o juiz substituto Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 2ª Vara Empresarial do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), julgou a extinção da ação e determinou que a “briga” seja resolvida no Tribunal Arbitral.
Dessa forma, Textor segue como controlador da SAF alvinegra em meio à disputa, e Arbitragem vai determinar se ele continuará no poder ou será retirado.
Explica-se: a Arbitragem é é um método privado e voluntário de resolução de conflitos, fora do poder judiciário, no qual as partes capazes escolhem um ou mais terceiros (árbitros) especialistas para decidir disputas sobre direitos. Após a arbitragem, é gerada uma sentença com valor de decisão judicial.
Com a ordem da 2ª Vara Empresarial, a Justiça manteve todas as decisões prévias que foram tomadas no desenrolar do caso. Eles serão válidas até que o caso seja analisado pelo Tribunal Arbitral e uma nova sentença seja definida.
Dessa forma, John Textor segue como controlador da SAF alvinegra em meio à disputa envolvendo e Eagle e o fundo Ares Management. A Arbitragem vai determinar se ele continuará no poder ou será retirado.
Ao mesmo tempo, o empresário segue proibido de vender ativos do clube (incluindo jogadores) – algo que foi definido pelo poder judicial em janeiro deste ano.
Na decisão que levou à extinção do processo, o magistrado ainda determinou que, se houver descumprimento de qualquer decisão já proferida, a Justiça pode aplicar as penalidades e consequências que entender cabíveis.
Ainda não há data para realização da Arbitragem, que será feita pelo Fundação Getúlio Vargas.










