O Figueirense Futebol Clube avançou em um pré-contrato com a Kactus Capital para a venda de 90% de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A informação, divulgada inicialmente pelo jornalista Rodrigo Faraco da CBN Floripa, indica que o período de due diligence, iniciado em 15 de janeiro, encerra-se no domingo, dia 15. Este acordo representa um passo crucial para a reestruturação financeira e esportiva do clube catarinense.
Estrutura da Negociação e Ativos Envolvidos
Conforme a proposta, o Figueirense manterá 10% das ações da SAF, enquanto o grupo investidor adquirirá os restantes 90%. Inicialmente, o Estádio Orlando Scarpelli e o terreno do antigo ginásio não estão incluídos na operação de venda. Contudo, o documento prevê um acordo de comodato de longo prazo para o estádio e o Centro de Treinamento (CT), além de uma opção de compra futura do estádio, cujo valor será definido após avaliação independente e poderá ter abatimento de dívidas.
Compromissos Financeiros e Assunção de Dívidas
Um dos pilares do pré-contrato é a assunção integral, pelos investidores, das dívidas existentes do Figueirense Futebol Clube, do Figueirense Futebol Clube LTDA (estimadas entre R$ 75 milhões e R$ 85 milhões) e do Figueirense Futebol Clube SAF (aproximadamente R$ 34,2 milhões). Adicionalmente, a Kactus Capital se compromete a negociar e estruturar o passivo com a empresa CLAVE, que soma cerca de R$ 27,3 milhões, incluindo valores corrigidos pela SELIC e juros por atraso.
A concretização do negócio está condicionada, de forma cumulativa, à homologação definitiva e trânsito em julgado dos processos de Recuperação Judicial do Figueirense Futebol Clube e do Figueirense Futebol Clube LTDA, bem como à conclusão satisfatória da due diligence jurídica, contábil, fiscal, trabalhista e imobiliária.
Obrigações de Investimento e Governança
A Kactus Capital se compromete com investimentos significativos: R$ 5 milhões no estádio em até cinco anos e R$ 20 milhões nas categorias de base em até 13 anos. O documento também estabelece uma folha salarial mínima para o futebol profissional, escalonada por divisão: R$ 1 milhão na Série C, R$ 2,5 milhões na Série B e R$ 7 milhões na Série A, visando impulsionar o retorno sustentável do clube à elite do futebol brasileiro.
Em termos de governança, o Figueirense terá o direito de indicar 1/3 dos representantes no conselho de administração e conselho fiscal da SAF, com um mínimo de um conselheiro em uma composição mínima de cinco integrantes. O clube também poderá indicar um CCO (Compliance) ou outro cargo na diretoria executiva da SAF, a ser escolhido pelos investidores.
Cláusulas de Salvaguarda e Penalidades
O pré-contrato inclui cláusulas para proteger os interesses do clube: a SAF não poderá distribuir dividendos nos primeiros três anos, e a venda do controle acionário é vetada no mesmo período, a menos que os compromissos estabelecidos sejam integralmente mantidos. Em caso de desistência injustificada por parte dos investidores, está prevista uma multa compensatória de R$ 1,5 milhão. Há, ainda, prioridade para o desenvolvimento de retrofit do estádio, visando transformá-lo em uma arena moderna.
Fonte: https://ge.globo.com













