O Corinthians voltou a deixar de cumprir os pagamentos previstos no acordo de transação tributária firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Desta vez, o clube acumula R$ 26,15 milhões em parcelas vencidas, referentes a débitos previdenciários e não previdenciários. A situação coloca em risco a manutenção da renegociação que reduziu uma dívida com a União de R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões. As informações foram divulgadas pelo ge.globo neste domingo (8).
O novo atraso aconteceu após o Corinthians não quitar as prestações que venceram em 30 de outubro. Na parte previdenciária, o valor pendente é de R$ 2.001.982,48. A inadimplência ocorreu mesmo depois de o clube ter desembolsado mais de R$ 8 milhões, no mês passado, para regularizar quatro parcelas que estavam em aberto nessa mesma categoria.
A situação é mais delicada em relação aos débitos não previdenciários. Com o não pagamento da prestação de outubro, o Corinthians passou a acumular cinco parcelas vencidas, totalizando R$ 24.148.080,90. Somadas às pendências previdenciárias, as obrigações em atraso chegam a R$ 26.150.063,38.
O acordo firmado com a PGFN estabelece que a ausência de pagamento de três parcelas, consecutivas ou alternadas, pode resultar na rescisão da transação tributária. Apesar de o Corinthians já ter ultrapassado esse limite na parte não previdenciária, a Procuradoria ainda não aplicou a cláusula que permite o encerramento do contrato.
Caso a renegociação seja rescindida, o Corinthians perderá os descontos obtidos e terá o valor original da dívida restabelecido, com abatimento apenas das quantias já pagas. Além disso, a União poderá retomar as medidas de cobrança judiciais e extrajudiciais. Outra consequência prevista é o impedimento de firmar novos acordos de transação tributária durante dois anos, inclusive para débitos diferentes dos contemplados no contrato atual.
A transação tributária foi assinada em 2026 e garantiu ao Corinthians um desconto de 46% sobre o passivo negociado. O parcelamento foi dividido em 120 prestações para as dívidas não previdenciárias e 60 para as previdenciárias. A renegociação representou uma das principais medidas adotadas pelo clube para reorganizar suas obrigações fiscais.
O acordo também esteve envolvido em uma discussão sobre a aprovação das contas de 2025. Embora a assinatura tenha ocorrido apenas em 2026, os efeitos da renegociação foram contabilizados no exercício anterior, provocando uma redução de R$ 217,428 milhões na dívida bruta apresentada pelo Corinthians.
Os atrasos acontecem em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pela atual administração. O endividamento total do clube está na casa dos R$ 2,8 bilhões, enquanto o déficit acumulado nos sete primeiros meses de 2026 chegou a R$ 278,705 milhões. Além das obrigações tributárias, a diretoria também enfrenta pendências relacionadas às despesas operacionais e ao departamento de futebol.
No elenco masculino, por exemplo, o Corinthians acumula três meses de direitos de imagem em atraso, além de valores referentes a férias e premiações da Conmebol Libertadores e do Campeonato Brasileiro. O cenário evidencia as dificuldades do clube para manter seus compromissos financeiros em dia, mesmo após a renegociação de parte de suas dívidas.
Procurado pelo ge, o Corinthians informou que pretende regularizar parte das pendências nos próximos dias. Até o momento, entretanto, não há confirmação de novos pagamentos ou de uma decisão da PGFN sobre a continuidade do acordo. A manutenção da transação tributária depende do cumprimento das obrigações estabelecidas, enquanto o clube busca evitar a perda dos descontos conquistados na renegociação.
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Fonte: Central do Timão













