Candidato à presidência do Corinthians nas eleições marcadas para 28 de novembro, Rozallah Santoro detalhou, em entrevista exclusiva à Central do Timão, suas propostas para enfrentar a crise financeira e administrativa do clube. O ex-diretor financeiro da gestão de Augusto Melo afirmou que acredita na recuperação da instituição em três anos e defendeu uma combinação de redução de despesas, renegociação de dívidas, novas fontes de receita e profissionalização do departamento de futebol. O conselheiro também abordou a exploração comercial da Neo Química Arena, o trabalho nas categorias de base, as contratações de jogadores e a necessidade de maior transparência na administração.
Engenheiro formado pela Universidade de São Paulo (USP) e executivo da área financeira, Rozallah registrou sua candidatura em 15 de outubro, com Joaquim Arruda e Zezinho Mansur como candidatos a vice-presidentes. O ex-dirigente disputa pela primeira vez a presidência alvinegra e terá como concorrentes André Castro, Ilmar Schiavenato, José Augusto Mendes e Sérgio Janikian. O vencedor assumirá o comando do clube em janeiro de 2027, com mandato até dezembro de 2029.

Ao analisar a situação econômica do Corinthians, Rozallah reconheceu a gravidade dos problemas financeiros, mas demonstrou confiança na possibilidade de reorganização das contas. Para ele, a recuperação dependerá da execução simultânea de diferentes medidas, sem apostar em uma solução isolada.
“Então a gente já começa dizendo que o Corinthians tem jeito. Isso é bom. Ele tem jeito, mas não existe uma ação isolada que vá resolver o problema. Existe um conjunto de ações que precisam acontecer ao mesmo tempo, para que a gente saia da condição atual e chegue num cenário, daqui a três anos, no trilho. Dá para colocar o Corinthians no trilho em três anos”, afirmou.
Entre as primeiras medidas defendidas está a revisão das despesas de todos os departamentos. O candidato mencionou um estudo elaborado pela Ernst & Young durante sua passagem pela diretoria financeira, que teria identificado possibilidades de economia entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões por ano.
“Um corte de custo na carne. Eu não estou nem falando aqui da folha do futebol, estou falando de todas as despesas do clube. A gente, quando eu estava lá, teve um estudo da Ernst & Young que mapeou 70 a 100 milhões por ano de potencial de redução. Esse estudo está na gaveta, ele não foi implantado. 70 a 100 por ano de redução. Ali eles compararam, desde estrutura, compararam salários com o mercado, compararam o custo de dia de jogo, compararam o custo do CT. O estudo é enorme, tem pacotes lá de redução”, declarou.
Rozallah ponderou que o levantamento precisaria ser atualizado, considerando possíveis mudanças nas despesas e na estrutura administrativa desde sua elaboração. Além dos cortes, defendeu uma renegociação conjunta das obrigações financeiras do clube.
“Esse estudo precisa ser atualizado. Eventualmente tiveram coisas que foram feitas, eventualmente tem mais distorção. Os valores podem ter mudado em dois anos e meio, três praticamente. Mas, assim, primeira coisa, um corte de custo na carne. Segunda coisa, renegociação e alongamento da dívida. Simplesmente não tem como fazer o picado de você ficar conversando de um por um. Você vai ter que fazer um pacote com todos os credores que o Corinthians tem”, explicou.
Na avaliação do candidato, os acordos com credores devem respeitar a capacidade de pagamento da instituição. Ele também comparou o cenário financeiro atual com o período em que assumiu a diretoria durante a gestão de Augusto Melo.
“Mas tem que ser uma coisa que caiba no teu fluxo. Esse é o problema. Quando eu assumi a diretoria financeira na gestão do Augusto, o Corinthians tinha um resultado mensal positivo. Ele gastava menos do que ele tinha de receita. Hoje não mais. Hoje, se o Corinthians não vender jogador, vocês viram aí. Se não vender jogador, dá déficit. Como entrou no transfer ban, não consegue contratar”, afirmou.
Ao comentar a dependência de negociações de atletas, Rozallah citou a diferença entre a previsão orçamentária de arrecadação com transferências e os valores efetivamente recebidos pelo clube.
“A previsão orçamentária de venda era de 150 milhões no ano, vendeu 10 milhões. É isso”, declarou.
A terceira frente de seu planejamento envolve a geração de novas receitas, principalmente por meio da Neo Química Arena. O candidato pretende combinar a cessão da administração do estádio a uma empresa especializada com a distribuição de parte de um fundo imobiliário.
“A gente falou do corte de custo, a gente falou da renegociação e alongamento da dívida. O terceiro, tem que entrar dinheiro. E como é que entra dinheiro? Vocês já me ouviram falar em algumas outras entrevistas do fundo imobiliário. Eu sou um defensor de distribuir um pedaço do fundo imobiliário. O fundo imobiliário não é teu core business, não é teu negócio central. O teu negócio central é o futebol”, explicou.
Segundo Rozallah, as conversas com empresas do setor indicaram a necessidade de separar a administração comercial do estádio das disputas políticas internas do Corinthians. Ele citou modelos utilizados em outros países e mencionou a concessão do Maracanã como referência.
“Aí eu fui buscar informações sobre o fundo imobiliário. E de empresas que fazem o produto, que distribuem o produto. Nossa Senhora, isso é loucura. E a primeira questão que me levantaram foi: você não vai conseguir fazer isso se você não blindar a arena da política do clube. Eu falei: tá bom. Quais são as alternativas para blindar a arena? Fomos buscar um modelo que acontece bastante nos Estados Unidos e Europa, que é a cessão da arena”, relatou.
O ex-diretor financeiro explicou que a proposta envolve um processo de seleção de empresas ou consórcios interessados na administração do estádio por determinado período, mediante condições estabelecidas previamente.
“Como que funciona isso? Igualzinho o Maracanã fez. Você tem lá uma concorrência, você tem os consórcios que se habilitam, você tem um leilão. E depois esse consórcio é responsável por fazer a gestão do estádio durante X tempo. É trazer para uma empresa que tenha experiência comprovada em gestão de arena. Eu dou exemplo de uma das que eu conversei. É uma empresa americana. Ela gerencia 400 arenas no mundo”, afirmou.
Na avaliação de Rozallah, o principal problema não está necessariamente na administração atual, mas na baixa utilização do estádio fora dos dias de partidas. Para ele, uma empresa especializada poderia ampliar a exploração comercial do espaço com eventos e serviços permanentes.
“O problema da gestão da arena é que o Corinthians joga na arena 35 dias por ano. O que você faz nos outros 320, cara? Fica parado. O tourzinho da arena é pouco, mas isso não banca. O ponto aqui, gente, é exatamente esse. Você colocando ali alguém que vive disso, esse alguém vai fazer com que a arena seja um destino diário. 365 dias por ano vai ter alguma coisa na arena. Ele vai colocar, por exemplo, um data center lá dentro. Ele vai colocar um call center. Ele vai usar aquele espaço externo para fazer uma feira. Enfim, alguém que vai fazer aquele negócio gerar independente do futebol”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de conflitos entre shows e partidas, o candidato afirmou que as condições de utilização da arena poderiam ser estabelecidas no contrato, garantindo ao Corinthians prioridade em datas previamente definidas.
“Quando você especifica a cessão, você pode dizer: primeira coisa, eu vou ter, na média, a gente joga 35 vezes por ano, depende até onde você vai no mata-mata, eu vou ter aqui 35, 40 dias de jogos por ano que eu escolho a data. A data é minha. Se você for fazer show, você vai fazer, por exemplo, em data Fifa. Vai fazer, por exemplo, quando estiver trocando gramado”, explicou.
Rozallah também apresentou uma simulação para demonstrar como as exigências do clube poderiam influenciar os valores pagos pela empresa responsável pela administração.
“Faz de conta que o cara está disposto a te pagar 100. Aí você fala para ele: 40 dias por ano eu vou usar. E eu não pago aluguel quando eu usar. Tá bom. Então, ao invés de 100, é 90. Você não pode fazer show no gramado quando eu não estiver usando. Ao invés de 90, é 70. São escolhas”, exemplificou.
De acordo com o candidato, a operação envolvendo o estádio e o fundo imobiliário teria potencial para proporcionar aproximadamente R$ 500 milhões ao Corinthians.
“Agora, com certeza, esse combinado de cessão da Arena e distribuição de um pedaço do fundo imobiliário depois da cessão da Arena é alguma coisa que tem potencial. A gente já fez o estudo disso. Tem potencial de trazer para o clube 500 milhões. Os 500 milhões vêm dessa estrutura. Vêm da cessão da Arena junto com a distribuição do fundo imobiliário”, afirmou.
Além das propostas financeiras, Rozallah discutiu o trabalho nas categorias de base e a necessidade de melhorar a formação, a captação e a valorização de jogadores. O candidato utilizou o Palmeiras como referência, destacando o aproveitamento de atletas identificados em outros clubes e a utilização de métodos estatísticos.
“A base do Corinthians é uma base formadora. O grande mérito da base do rival é a captação de atletas que já começaram a formação em outros clubes. Não é só isso. Existe um método por trás. Com o Estêvão foi a mesma coisa. Existe um método estatístico por trás. Para quem tiver curiosidade de olhar mais a fundo, o fundamento chama Moneyball”, explicou.
Ao mencionar o conceito, Rozallah fez referência à utilização de estatísticas para identificar atletas e montar equipes de maneira mais eficiente, defendendo que o Corinthians incorpore esse tipo de análise às decisões esportivas.
“Moneyball é um baita filme. Não, não, é um filme de beisebol dos Estados Unidos, um cara de mercado financeiro, ele cria um algoritmo para falar assim: olha, esse aqui é o time ideal. E ele coloca só nomes que não eram os badalados. E esse time, o cara monta esse time e é campeão da liga, porque ele olhava a qualidade individual, olhava a estatística individual e olhava com o algoritmo como que um jogador ia se entrosar com os outros. Maximizando as categorias. Ele maximiza, você calibra o individual de cada atleta, maximizando o total de entrega do time”, relatou.
O candidato ressaltou que o uso de dados já faz parte da realidade de diferentes clubes e lembrou que o Corinthians contou com uma estrutura semelhante durante o período de Edu Gaspar.
“O esporte hoje trabalha com ciência de dados. Corinthians já teve essa área na época do Edu Gaspar. E eu não estou falando só da base, também do profissional”, declarou.
Para exemplificar a importância de identificar oportunidades no mercado, Rozallah citou jogadores que integraram o elenco campeão mundial de 2012, destacando que vários deles chegaram ao Corinthians sem o mesmo reconhecimento de atletas considerados grandes estrelas.
“Cara, pega o time campeão do mundo. O Cássio era reserva do PSV. Aí você tem, por exemplo, o Alessandro, o Chicão, mas foram caras que vieram para o time da Série B. Você tem o Ralf do Barueri, você tem o Paulinho do Bragantino. Elias da Ponte. O Jorge Henrique tinha vindo do Botafogo. O Romarinho do Bragantino, o Felipe também, zagueiro do Bragantino”, relembrou.
Na avaliação do ex-diretor, o principal desafio está em melhorar a eficiência dos investimentos realizados pelo departamento de futebol.
“Agora, como que a gente consegue melhorar a qualidade do que a gente gasta? O problema não é não ter dinheiro para gastar, o problema é que o Corinthians gasta mal”, afirmou.
Ao comparar o trabalho das categorias de base de Corinthians e Palmeiras, Rozallah destacou a importância da transição dos jogadores para o elenco profissional. Segundo ele, a organização da equipe principal contribui para que os jovens recebam oportunidades e apresentem números capazes de aumentar seu valor de mercado.
“O Corinthians tem captação na base. Ela só não funciona da forma como funcionou o Palmeiras. Tem uma outra coisa que o Palmeiras faz. Ele faz muito bem a transição desse atleta para cima. E aí, quando você provoca, o Corinthians vende barato, a gente já falou disso. Simplesmente, quem está olhando de fora para cá está olhando toda essa estatística que eu falei. Qual que é o mérito lá? Você coloca o jogador para jogar no time de cima, você dá minutagem para ele ir no time de cima”, explicou.
“E como o time de cima é organizado, o cara entra e ele tem número para mostrar. Ele entra num negócio que está azeitado ali, está andando. Então, veja, você tem o mérito da captação, você tem o mérito da transição. E depois que você fez a transição, você tem jogadores que se integram ao elenco profissional performando como o Estêvão performou”, acrescentou.
O candidato também comentou a estrutura administrativa das categorias de base. Durante a conversa, Erasmo Damiani foi mencionado como o executivo responsável pelo departamento corinthiano, em comparação ao trabalho desenvolvido por João Paulo Sampaio no Palmeiras.
Outra prática destacada por Rozallah foi a manutenção de percentuais de direitos econômicos de jogadores que não encontram espaço no elenco profissional, permitindo que sejam negociados com equipes estrangeiras sem que o clube perca completamente a possibilidade de receber valores futuros.
“Tem outra coisa que o Palmeiras faz que é muito boa. Quem não é aproveitado no time principal, ele mantém um pedaço daquele jogador, ao invés de simplesmente dispensar, e ele coloca esse jogador na segunda divisão de Portugal, na terceira da França, na segunda da Croácia”, afirmou.
O candidato explicou que esse modelo permite oferecer novas oportunidades aos atletas e preservar uma participação financeira em eventuais transferências posteriores.
“É como se ele estivesse dando uma segunda oportunidade para o cara, mas em outro lugar. Porque aí ele mantém. Isso não custa nada para ele. Eu vou te mandar um jogador de graça, você negocia com ele aí, a minha condição é que eu mantenho, por exemplo, metade dos direitos econômicos e te entrego a outra metade”, exemplificou.
Questionado sobre a presença de jogadores corinthianos em mercados europeus de menor expressão, como Chipre e Moldávia, Rozallah afirmou que o destino das negociações também está relacionado à qualidade técnica e ao desempenho dos atletas.
“A resposta não vai agradar. A resposta é a seguinte: você está mandando jogadores piores para fora. E quem toma jogador pior são ligas piores. Não tem, o mercado se autorregula. Eu também questiono a questão do: ‘Ah, o Corinthians vende barato’. Cara, se o Corinthians tivesse um jogador barato à venda, ele seria disputado por outros clubes que possam pagar mais”, declarou.
Na sequência, o candidato reforçou que as diferenças entre os valores obtidos por Corinthians e Palmeiras nas transferências não podem ser explicadas exclusivamente pela capacidade de negociação das diretorias.
“Não é que ele venha jogando barato. É que os jogadores que o Palmeiras está vendendo são melhores que os jogadores que o Corinthians está vendendo”, avaliou.
Durante a entrevista, Rozallah também comentou a situação de Breno Bidon, especialmente em relação ao posicionamento do meio-campista. O candidato acredita que o jogador poderia alcançar maior valorização caso fosse utilizado em uma função mais ofensiva.
“Mas, se você pegar hoje os números do Bidon, ele está jogando de segundo volante. Ele não joga nessa posição do Corinthians. E ele, para segundo volante, é um cara que não tem corpo para jogar mais na Europa, cara. Ele é franzino. Ele é muito talentoso. E, se ele estivesse mais na frente, quem sabe ele fizesse mais gols. E ele ia valer muito mais. Entendeu? E aí é uma questão técnica”, afirmou.
Outro ponto apresentado pelo candidato envolve a criação de uma estrutura profissional para administrar o futebol, separando as decisões esportivas das demais atividades institucionais. A proposta prevê a contratação de um CEO responsável pelo departamento, com autonomia para executar diretrizes estabelecidas por um comitê gestor.
“Se você tiver uma gestão profissional, e o plano que eu tenho para apresentar pressupõe uma separação do futebol do resto do clube, você constrói no futebol uma gestão profissional. Você ter um CEO para o futebol que reporta, num primeiro momento, para um, vamos chamar assim, comitê gestor do futebol. Ele tem diretrizes, ele é obrigado a executar aquela função e ele vai ser trocado se ele não executar”, explicou.
Rozallah destacou que o profissional responsável pelo futebol precisaria assumir a responsabilidade pelas decisões e pelos resultados, dentro dos limites estabelecidos pela estrutura administrativa.
“Mas a responsabilidade é dele, ele tem que tomar uma série de decisões e aí depende de como você vai construir esse poder que ele vai ter”, acrescentou.
Questionado sobre o perfil desejado para o cargo, o candidato afirmou que busca um profissional com experiência em gestão, independentemente de sua trajetória ter sido construída exclusivamente no futebol.
“Cara, eu tive a oportunidade de representar o Corinthians no grupo que discutiu o fair play financeiro. Conheci CEOs, conheci os presidentes de outros clubes. Conheci pessoas bastante interessantes do meio, que têm conversa. Não tenho como adiantar nome, mas acredito. Perfil executivo, perfil com experiência, de preferência também fora do futebol, com experiência de gestão. Esse é um cara que vai ter que ser cobrado pelo resultado, de verdade”, declarou.
“Você tem um perfil de CEO, que é um cara que tocaria uma empresa. E esse cara pode ser um cara da bola, pode ser um cara que veio do futebol, que se preparou para isso. Ele pode ser um cara que venha do meio corporativo e se adapte ao futebol”, completou.
Como exemplo de profissional que realizou a transição do ambiente corporativo para o futebol, Rozallah mencionou André Rocha, do Red Bull Bragantino.
“Te dou um exemplo do CEO que fez esse caminho, o André Rocha, lá do Red Bull Bragantino. Ele era da Unilever, se eu não estou enganado. Ele fez essa transição”, afirmou.
O candidato defendeu que a estrutura esportiva funcione com indicadores de desempenho e prestação de contas, seguindo princípios semelhantes aos utilizados na administração de empresas.
“Agora, veja, você está falando de uma estrutura que funciona exatamente como uma empresa. Você acha que ele tem alguma coisa diferente do painel que eu te falei aqui, de indicadores de performance? Você acha que ele não presta conta para o conselho da empresa?”, questionou.
Sobre a escolha de treinadores, Rozallah afirmou que a responsabilidade seria do executivo contratado para comandar o departamento de futebol. Entretanto, reconheceu que o presidente poderia apresentar sugestões e, em determinadas situações, interferir na decisão.
“Mas quem vai escolher o técnico, você ou o cara do futebol? O cara do futebol. Você não vai dar pitaco nenhum? Se eu der um palpite, eu vou dar”, respondeu.
O candidato explicou que pretende estabelecer mecanismos para registrar formalmente decisões presidenciais contrárias às recomendações do comitê gestor, com a exigência de justificativas por escrito.
“O comitê pode dizer: não contrate, por exemplo, o técnico. E, como a caneta é do presidente, é óbvio que ele pode falar: eu quero, pronto, acabou. A gente colocou na sugestão de regra do comitê que, se o presidente for contra a decisão do comitê e tomar a decisão, ele vai ter que justificar por escrito e isso vai ficar registrado junto com o processo de decisão”, revelou.
Para Rozallah, a formalização das decisões permitiria estabelecer responsabilidades e reduzir interferências sem justificativa técnica.
“São exemplos, cara, de critérios que você cria. Fala assim: a gente criou o critério aqui, a gente combinou que ia ser assim. Então, se eu estou topando o critério, tem que não concordar muito com a decisão que está sendo sugerida aqui para você chegar aí na canetada e falar: não vou fazer”, explicou.
A folha salarial do futebol também foi discutida durante a entrevista. Rozallah apresentou números referentes aos gastos com pessoal do departamento e afirmou que as despesas aumentaram significativamente entre 2024 e 2025.
“Se você pegar o resultado de 2025, você pegar a linha despesa com o pessoal do futebol, você sabe que ela foi de 510 milhões no ano. Se você dividir por 12, vai dar mais de 40 por mês”, afirmou.
O candidato defendeu que o planejamento financeiro do elenco seja proporcional aos objetivos esportivos, considerando a distribuição dos investimentos entre jogadores experientes, atletas de alto desempenho e jovens em desenvolvimento.
“Gente, a folha do Corinthians tem que ser proporcional à ambição esportiva do Corinthians. À ambição de performance. Existem estudos sobre isso, de quanto você gasta e a tua colocação no campeonato. Absolutamente estatístico. Qual que é a minha folha ideal? Minha folha ideal é ter, meu elenco tem que ter três, quatro caras de ponta, tem que ter meia dúzia ali que são mais operados, tem que ter uns caras que são potencial para desenvolver”, declarou.
Rozallah explicou que a definição do orçamento precisa considerar as necessidades do elenco e utilizar ferramentas de análise para identificar posições carentes e jogadores que não se encaixam no planejamento.
“Vamos montar essa pizza aqui, né? Aí depois o que a gente tem no elenco? O que falta no elenco? O que está sobrando no elenco? E outra, em cima de tudo aquilo que eu falei para vocês, de manual, de você ter ciência de dados te ajudando a tomar decisão”, acrescentou.
Ao comparar os exercícios financeiros, o ex-diretor afirmou que os gastos com pessoal do futebol passaram de aproximadamente R$ 370 milhões em 2024 para R$ 510 milhões em 2025.
“O custo do futebol em 2024, com o pessoal, foi 370 milhões. Só a despesa de pessoal do futebol. Foi de 370 para 510, 24 contra 25”, declarou.
Segundo Rozallah, as contratações realizadas na segunda metade de 2024 contribuíram para elevar as despesas no exercício seguinte, uma vez que os contratos passaram a representar custos durante todo o ano.
“Em 24, o que estourou de fato a folha do Corinthians foi a última janela do ano. Então, por isso que eu te falei que são escolhas. Quando você tem o bloco inteiro que vem nesse final de 24, esse bloco inteiro custa alguma coisa. Ele estoura o orçamento em alguma coisa da ordem de 15 milhões por mês. Só que 15 milhões por mês em 2024, como isso começou em setembro, cara, são 60 no ano. Só que quando você chega para 25, cara, você tem 12 meses”, explicou.
O candidato também abordou a necessidade de maior rigor nas contratações e renovações contratuais. Questionado sobre o aumento dos custos relacionados à negociação de Pedro Raul, Rozallah apontou o fair play financeiro como um dos principais desafios administrativos para o próximo mandato.
“Um dos maiores desafios que o Corinthians tem nos próximos três anos é se adequar ao fair play financeiro. Se ele tivesse adequado ao fair play financeiro, esse problema não aconteceria. Ele só poderia gastar o que ele arrecada”, afirmou.
Ao comentar a primeira janela de transferências da gestão de Augusto Melo, período em que ocupava a diretoria financeira, Rozallah afirmou que determinadas contratações não foram devidamente alinhadas com o departamento responsável pelas contas do clube.
“Nada disso foi alinhado com o financeiro. Mas, assim, você tinha em orçamento, você tinha alguma coisa na ordem, a gente tinha vendido o Moscardo”, declarou.
O ex-dirigente defendeu que os recursos obtidos com negociações de jogadores sejam utilizados prioritariamente para reinvestimento no elenco, em vez de financiar despesas recorrentes ou cobrir dívidas.
“Teoricamente, você não deveria vender atleta para pagar dívida, você não deveria vender atleta para pagar conta. Você deveria vender atleta para reinvestir no elenco”, explicou.
Rozallah utilizou a transferência de Gabriel Moscardo como exemplo de planejamento orçamentário, argumentando que a disponibilidade de recursos deveria estabelecer limites claros para novas contratações.
“Vendeu o Moscardo por 100 milhões? É 100 milhões que tem para gastar. E acabou. Percebe? Assim, para efeito de orçamento, não tem muito o que discutir”, completou.
Além das mudanças financeiras e esportivas, o candidato pretende ampliar o relacionamento comercial com a torcida por meio de uma plataforma digital que reúna serviços, informações institucionais, conteúdos e ofertas de patrocinadores.
“O que a gente está falando é de ter um único aplicativo que tenha serviços para o coletivo corintiano. E esses serviços, conteúdo, divulgações, oferta de produto. Porque o Fiel Torcedor hoje não pode ser apenas um modelo, um sistema de compra de ingressos”, afirmou.
Rozallah citou o Orlando City, dos Estados Unidos, como referência para a iniciativa. Segundo ele, o clube norte-americano utiliza o ambiente digital para estabelecer parcerias comerciais e oferecer produtos direcionados a diferentes perfis de torcedores.
“Eu fui conversar com o pessoal do Orlando City. Foi o modelo mais legal que eu encontrei. Eles têm ali praticamente 200 patrocinadores digitais. Que nem têm camisa, CT, nada. Só no app. Ali o objetivo é você engajar o torcedor e você ter esse engajamento girando negócios com os seus parceiros”, explicou.
O candidato apresentou exemplos de como a plataforma poderia funcionar comercialmente, oferecendo produtos de diferentes categorias conforme o perfil de consumo dos usuários.
“Exemplo, lá no Orlando City eles têm dois parceiros para cada linha de produto. Tem até carro lá. Faz de conta que você tem lá um carro de entrada e você tem um carro top. O carro de entrada ele vai oferecer para uma galera, o carro top ele vai oferecer para outra. E vida que segue”, acrescentou.
Outra proposta envolve a ampliação da transparência administrativa. Rozallah defendeu a criação de uma área institucional que disponibilize informações básicas sobre contratos, fornecedores, valores e prazos, permitindo maior acompanhamento por parte dos associados e torcedores.
“A gente foi ver também outros clubes de São Paulo. Não estamos nem falando de clubes de futebol, mas como que outros clubes trabalham. Você tem lá uma área de transparência no site, onde eles colocam: olha, eu fiz um contrato com a empresa tal. Ela me fornece isso aqui. É um contrato desse valor e ele vence em tal data. Está explicado. Acabou. Você não precisa de mais nada”, declarou.
O candidato também criticou a dificuldade de acesso a informações relacionadas a determinadas operações financeiras do Corinthians, citando como exemplo negociações envolvendo a Caixa Econômica Federal.
“Eu não quero ver a cláusula, eu não quero ver a letra miúda. Aí agora a gente tem um negócio com a Caixa que a primeira coisa que sai é confidencial. Já não dá para saber o que está acontecendo. Essas coisas que o torcedor corintiano não aguenta mais, cara. E está certo se não aguentar”, afirmou.
Rozallah Santoro ocupou a diretoria financeira do Corinthians durante os primeiros meses da gestão de Augusto Melo, mas deixou o cargo em junho de 2024, alegando falta de autonomia e descumprimento de compromissos administrativos. Agora, em sua primeira candidatura à presidência, o ex-dirigente apresenta um projeto baseado na reorganização das contas, na geração de novas receitas e na profissionalização da gestão esportiva.
A eleição presidencial do Corinthians será realizada em 28 de novembro, no Parque São Jorge. O candidato escolhido pelos associados comandará o clube entre janeiro de 2027 e dezembro de 2029, período em que Rozallah pretende colocar em prática as medidas apresentadas para recuperar a situação financeira e modificar a estrutura administrativa alvinegra.
Fonte: Central do Timão












