O Corinthians pode promover uma redução no orçamento destinado ao futebol feminino para a temporada de 2027. Em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube, que acumula uma dívida próxima de R$ 3 bilhões, a diretora da modalidade, Iris Sesso, reconheceu a possibilidade de cortes e afirmou que ainda precisa discutir o planejamento do próximo ano com o presidente Osmar Stabile. De acordo com informações divulgadas pela Meu Timão, a situação gera preocupação sobre a manutenção da estrutura e da competitividade das Brabas.
Em entrevista coletiva após a derrota para o Cruzeiro na final da Libertadores Feminina, no último sábado (31), Iris destacou a necessidade de conciliar a realidade financeira do Corinthians com a preservação de um elenco competitivo. A dirigente também lamentou o fato de a equipe ter disputado quatro decisões em 2026 sem conquistar títulos.

“Não é novidade para ninguém o momento financeiro. Tenho que ter responsabilidade, mas preciso manter a qualidade do elenco. Não conquistamos título, mas chegamos em finais. As atletas ficam incomodadas também, mas sei que elas e nós demos o melhor. Tenho que chegar no Brasil, conversar com a presidência sobre orçamento e nessa correria ainda não consegui. Primeira coisa é voltar e entender isso”, declarou.
A temporada das Brabas foi marcada por campanhas que terminaram com o vice-campeonato. O Corinthians perdeu a decisão da Copa das Campeãs para o Arsenal, da Inglaterra, foi superado pelo Palmeiras na Supercopa Feminina e ficou com a segunda colocação do Campeonato Brasileiro após enfrentar o São Paulo. A quarta derrota em uma final aconteceu na Libertadores, quando a equipe empatou por 4 x 4 com o Cruzeiro e acabou derrotada por 5 x 4 nas cobranças de pênaltis.
Além das questões esportivas, o planejamento para 2027 será influenciado pelas mudanças na administração do clube. O Corinthians realizará sua eleição presidencial em 28 de novembro, quando será escolhido o mandatário responsável pelo triênio de 2027 a 2029. Osmar Stabile não disputará a reeleição, e Iris pretende conversar com os candidatos para apresentar as necessidades do departamento e conhecer as propostas para a modalidade.
“O presidente não vai tentar reeleição, então são outros candidatos que vamos conversar. Eu conheço os candidatos, vou sentar com eles, conversar, entender a política de trabalho deles e quero mostrar como é o futebol feminino do Corinthians. Estamos tristes hoje, mas não deixa o legado do Corinthians no futebol feminino”, afirmou.
Até o momento, André Castro, Ilmar Schiavenato, José Augusto Mendes e Rozallah Santoro estão confirmados na disputa pela presidência. A definição da nova gestão será importante para estabelecer as prioridades financeiras e esportivas do clube, incluindo os investimentos destinados à equipe feminina.
Outro problema enfrentado pelo departamento ao longo de 2026 foi o atraso nos pagamentos às atletas. Salários, direitos de imagem e premiações estiveram entre as pendências registradas durante a temporada. Embora os vencimentos e os direitos de imagem tenham sido regularizados em outubro, os valores referentes às premiações ainda não foram quitados.
Iris reconheceu que as dificuldades financeiras interferem no ambiente de trabalho e afirmou que procura preservar as jogadoras dos problemas administrativos. A dirigente também destacou que mantém conversas com a diretoria para buscar uma solução para os pagamentos pendentes.
“Falar que não impacta, estaria mentindo. Afeta um pouco, tento fazer ao máximo a blindagem e sinto que elas me retribuem e fazem nosso melhor. Todas querem receber e hoje o que não está em dia são as premiações. Conversamos com a diretoria para quitar tudo o quanto antes”, explicou.
Em agosto, as atletas chegaram a cobrar diretamente Osmar Stabile, no Parque São Jorge, pelos atrasos referentes aos direitos de imagem de junho e julho, além das premiações. Na ocasião, o grupo também solicitou maior diálogo com a administração. Apesar da regularização posterior de parte dos valores, novas pendências surgiram durante a disputa da Libertadores.
Diante desse cenário, a ampliação das receitas comerciais aparece como uma das alternativas para reduzir a dependência financeira do departamento. O Corinthians tem buscado novas parcerias para o futebol feminino e contou, por exemplo, com um patrocínio pontual da rede Subway durante a final da Libertadores.
Atualmente, o uniforme das Brabas conta com quatro patrocinadores fixos: Banco BMG, Broto Legal, Remessa Online e Tecnogera. O departamento também sofreu mudanças em seus acordos comerciais, incluindo a saída da Esportes da Sorte da posição de patrocinadora máster e o impedimento judicial de uma parceria com a Fatal Fans.
Ao comentar a busca por investimentos, Iris ressaltou que o desenvolvimento financeiro do futebol feminino depende de maior participação das empresas e do reconhecimento do potencial comercial da modalidade.
“O marketing do Corinthians sempre trabalha, buscando. É uma série de questões de não só as empresas no futebol feminino, mas é algo cultural. Empresas, governo precisam entender que o produto é rentável para manter as empresas na modalidade”, completou.
Com o orçamento ainda indefinido e a proximidade da eleição presidencial, o Corinthians terá decisões importantes para a montagem do elenco e a continuidade do projeto esportivo em 2027. A possível redução de investimentos também ocorre em um momento de definição do futuro de atletas com contratos próximos do encerramento, o que pode provocar mudanças na equipe para a próxima temporada.
Enquanto aguarda as definições administrativas, o Corinthians Feminino ainda tem a disputa do Campeonato Paulista pela frente. As Brabas enfrentam o Red Bull Bragantino nas semifinais, com partidas previstas para os dias 17 e 22 de novembro, buscando encerrar a temporada com um título.
Fonte: Central do Timão







