A categoria Sub-17 do Corinthians vem chamando a atenção nesta temporada. Os Filhos do Terrão estão, nesse momento, nas semifinais do Campeonato Brasileiro da categoria, tendo empatado o primeiro jogo, contra o Red Bull Bragantino, por 1 x 1, fora de casa, e nas oitavas do Campeonato Paulista. No estadual, o Alvinegro perdeu o primeiro jogo para o São José, também como visitante, pelo placar de 2 x 1.
Em 2026, são 28 vitórias, seis empates e nove derrotas, sendo 129 gols marcados e 45 sofridos, o que representa 70% de aproveitamento. Um dos responsáveis pelo sucesso do time é Guilherme Nascimento, contratado para comandar o Timãozinho ainda no final do passado, depois de trabalhos expressivos nas bases do América-MG, Atlético-MG e Athletico-PR.

Nos últimos dias, o jovem comandante concedeu entrevista ao Código BR, do Footure, e fez uma análise de como vem sendo sua primeira temporada no Corinthians. Na primeira fase do Brasileirão, o Alvinegro foi a segunda melhor campanha geral. Ao todo, foram 39 pontos somados, com 58 gols marcados (melhor ataque) e 20 sofridos (terceira melhor defesa). Nas quartas, eliminaram o Flamengo.
Além disso, respondeu sobre a relação de identificação dos atletas com a camisa do Corinthians, alguns dos destaques dos Filhos do Terrão e os desafios de preencher o calendário enquanto a equipe esteve fora do Movimento dos Clubes Formadores do Brasil (MCFB). Por fim, detalhou as mudanças implementadas no dia a dia da base, dentre elas a utilização do celular.
Confira abaixo as respostas de Guilherme Nascimento na entrevista:
Análise da primeira temporada no Corinthians
“Tem sido um trabalho legal, realizado por várias mãos, com muita gente envolvida nesse processo. De fato, recebemos um grupo de boa qualidade, com alguns atletas que entendemos ter grande potencial para gerar o futuro que o clube deseja: jogadores com capacidade de atuar em alto nível no futebol profissional. Dentro desse processo de construção, conseguimos desenvolver um coletivo que funciona de forma positiva, respeitando as características dos jogadores. Isso criou um ambiente em que eles conseguiram se expor de maneira mais confortável. Deu liga e deu jogo.”
“Conseguimos o melhor ataque da competição, a terceira melhor defesa e o maior saldo de gols. Foi uma equipe extremamente equilibrada nesse sentido. Estamos na semifinal do Campeonato Brasileiro. Desde 2023, se não me engano, não chegávamos a essa fase. Estou muito animado com a possibilidade de dar sequência a esse processo, chegar à final do Campeonato Brasileiro e conquistar o título ao fim da competição. Teremos pela frente um adversário muito difícil, muito bem treinado e que conta com uma estrutura que investe bastante. O que posso prometer é que serão dois bons jogos. Todos podem ter convicção disso.”
Identificação dos atletas com o Corinthians
“Como falamos em outro momento, muitos atletas são de São Paulo, especialmente da Zona Leste. São jogadores muito identificados com o clube. Eles carregam essa identificação consigo e a levam para os jogos. O que a torcida pode esperar? Pode esperar jogadores de boa qualidade técnica. Estamos tentando oferecer o melhor desenvolvimento possível a esses atletas, que também são muito identificados com o clube e com tudo o que ele representa, de modo geral, além do sentimento que essa camisa carrega.”
Desenvolvimento de talentos baseados em suas metodologias alinhados com a cultura do clube
“O atleta precisa ter capacidade de lidar com pessoas. Não se trata apenas de lidar com o ambiente, mas também de desenvolver o lado humano do atleta. Estudo e me aprofundo no aspecto técnico-tático, mas hoje tenho muita convicção de que uma parte fundamental do meu trabalho, talvez com um percentual maior do que isso, é o desenvolvimento mental. Estou falando de mentalidade esportiva, valores esportivos e valores humanos. Na primeira palestra que faço para cada grupo que recebo, não falo sobre modelo de jogo. Falo sobre valores. Apresentamos princípios básicos, como respeito e humildade. São princípios fundamentais, e a mensagem é: sem isso, a gente nem começa. Esses valores são inegociáveis. Sem eles, não tem como fazer parte do grupo. Depois, falo sobre os valores que vamos desenvolver durante o processo, como coragem, competitividade e coletividade.”
“Aqui no Corinthians, acrescentamos alguns valores identitários que fazem parte da cultura do clube. Começamos a discutir o quanto esses atletas vivem com o individualismo dentro e fora de campo. Também explorei bastante esse assunto com os meninos. Quando digo que nosso papel é entregar ferramentas para que os atletas se formem da melhor maneira possível, estou falando de ferramentas técnicas e físicas, mas também de valores humanos e esportivos. Estou falando de cuidar da parte social e da parte educacional. Tudo isso faz parte do nosso trabalho. Há intervenções sobre a escola, assuntos escolares e problemas de casa, envolvendo questões relacionadas ao pai e à mãe. Tentamos nos colocar em uma posição de quem pode ajudar de alguma forma. Essa é uma parte fundamental do meu trabalho e, repito, costumo dizer que hoje ela representa mais da metade do que faço. A parte emocional, pessoal e humana representa mais da metade.”
Amistosos e desafios da pré-temporada de 2026 em meio, até então, à ausência no Movimento dos Clubes Formadores do Brasil (MCFB)
“O nosso calendário foi basicamente assim. Em janeiro, o Corinthians estava fora do Movimento dos Clubes Formadores, por uma questão de um atleta. Então, não recebemos convite para essas competições não federadas, mas que são importantes nesse processo de pré-temporada. A equipe também não tinha conseguido vaga para a Copa do Brasil, que começa logo em fevereiro. Então, essa é a primeira competição nacional, e a gente não tinha vaga. Nosso trabalho ficou de janeiro até maio apenas em período de pré-temporada: período de desenvolvimento, de entregar o máximo de ferramentas aos jogadores e de construir um processo coletivo. A gente teve a condição de fazer bastante amistosos e reunir equipes. Então, fizemos amistosos com o Paraná, jogamos contra a dupla Atletiba, fizemos jogos contra equipes do Rio de Janeiro, como Flamengo e Vasco. Assim, qualificamos bastante esse processo de pré-temporada, que foi longuíssimo.”
“Em maio, no início do mês, começou o Campeonato Paulista. No final de maio e no início de junho, começou o Campeonato Brasileiro. Então, ficamos um bom período em desenvolvimento. Só que, desde junho, temos jogado quarta e sábado, terça e sábado, quarta e domingo. E acho que esse é um dos vários pontos do nosso processo de formação de atletas sobre os quais podemos falar depois. Porque, desde os 17 anos, esse atleta já não tem mais um período sensível de desenvolvimento. O Brasileirão se alongou, então temos um campeonato de 19 rodadas, mais as eliminatórias. E o Campeonato Paulista é extremamente longo e competitivo, mesmo para as equipes de menor expressão. Por exemplo, fizemos um jogo contra o Flamengo na última terça-feira, valendo pelas quartas de final do Brasileiro.”
“No domingo, estávamos em campo disputando as oitavas de final do Paulista, em um jogo extremamente competitivo. E, agora, na quarta-feira, vamos disputar a semifinal do Brasileiro. Então, minha comissão e nosso trabalho têm tentado lidar com o pouco tempo disponível para treinar, porque as sessões precisam ser curtas, pensando na recuperação dos atletas. Mas não podemos abrir mão do treino conceitual nem do treino de desenvolvimento para além do aspecto estratégico.”
Proibição do uso de celulares
“Primeiro, precisamos usar o celular como aliado naquilo em que ele pode ajudar. Já tínhamos comentado sobre o grupo de vídeos. Temos o hábito de colocar informações nas mãos dos atletas. Sabemos que o consumo é rápido e imediato, porque o conteúdo está ali, disponível no celular. Então, precisamos usá-lo como aliado quando possível. Hoje, estamos acompanhando essa tendência de as coisas se espalharem rapidamente e virarem hábito. Não sabemos exatamente onde isso começa, mas é o cenário atual. No Sub-17, quando o atleta chega para pegar o uniforme, precisa deixar o celular em uma caixinha. Nós o guardamos ali durante as atividades.”
“Isso vale para os momentos das refeições, para as avaliações diárias no departamento médico, para o treino de força na academia e para as sessões de vídeo que realizamos com os atletas. A ideia é que o atleta fique desconectado do celular durante essas atividades. Ele só pega o aparelho de volta quando toma banho para ir embora. Nesse momento, recebe novamente a roupa e o celular e volta a ter acesso ao aparelho. Também pensamos nessa interação entre os jogadores. Estávamos vendo todos no vestiário olhando para as próprias telas. Com essa mudança, a conversa entre eles começou a voltar um pouco, inclusive durante as refeições. Temos seguido essa lógica e essa tendência. Já vi outros clubes e outras comissões técnicas fazendo o mesmo.”
Preparação de materiais didáticos em vídeo para estimular o aprendizado dos garotos
“Em relação às sessões de vídeo e aos treinos fora de campo, existe muito esse discurso de que o tempo com o atleta precisa ser curto, porque ele perde a atenção rapidamente. Entendo essa ideia e concordo em parte, mas acho que depende da forma como o conteúdo é apresentado. Não podemos abandonar nossa maneira de trabalhar. Existe o discurso de que cinco ou dez minutos podem ser cansativos, mas pode haver uma conversa de 30 minutos, com troca e interação, na qual o jogador participa. Você dá a palavra ao atleta, ele responde, você avança, mostra os lances e ele participa novamente. Tudo depende da forma e da didática. Temos sessões mais curtas, mas também temos sessões mais longas, baseadas na interação. Convidamos o atleta a participar e perguntamos: ‘O que é essa decisão aqui? O que você pensou? O que acha disso?’. Assim, criamos um ambiente mais interativo. Podemos passar mais tempo e transmitir todas as informações necessárias, mantendo os atletas envolvidos e atentos àquilo que queremos apresentar.”
Próximo compromisso
O Sub-17 do Corinthians voltará a atuar neste sábado (24), às 16h (de Brasília), para encarar o Red Bull Bragantino, no Estádio Alfredo Schürig, Fazendinha, pelo jogo de volta das semifinais do Campeonato Brasileiro. A primeira partida terminou empatada em 1 x 1. Depois, no dia 27, terça-feira, entrará em campo no mesmo local, dessa vez para receber o São José, pelo jogo de volta das oitavas do Campeonato Paulista. No primeiro jogo, perderam por 2 x 1.
Fonte: Central do Timão












