
Neste domingo, o Corinthians foi derrotado pelo Santos por 1 a 0, na Neo Química Arena, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na avaliação de Fernando Diniz, o clube do Parque São Jorge fez boa partida defensiva, mas teve atuação ruim na conclusão das jogadas.
“Eu acho que fizemos uma partida que merecia um resultado melhor. O time defensivamente foi bem, ofereceu pouco para o Santos, mas pecamos na criação de chances efetivas de gol. Tentamos tabela por dentro, parede, chute de fora da área. A gente teve dificuldades em encerrar as jogadas. Tivemos muitas chances de cruzamento, o que é um padrão meio normal. Já falei para vocês, não é porque a gente tinha ou não o Pedro Raul na área. O Santos tinha uma proposta mais clara de esperar na marcação, o que acabou empurrando eles para trás, principalmente no segundo tempo. Quando a gente pega times que acabam baixando muito as linhas de marcação, as jogadas terminam muito pelo lado e os gols acabam saindo por ali”, disse Diniz na coletiva após o jogo.
“O que faltou, para mim, foi mais agressividade para poder, principalmente no primeiro tempo, ter uma posse mais agressiva, terminar mais rápido as jogadas, preencher mais a área, chutar mais no gol e criar mais volume, trazer o torcedor junto, que era isso, mais ou menos, o que a gente tinha treinado para acontecer no jogo. No segundo tempo, isso melhorou. A gente foi mais efetivo, andamos mais para a frente, o Santos praticamente não saiu de trás, mas faltou um pouco de inspiração para poder criar as nossas chances e convertê-las em gol”, completou o treinador.
O primeiro tempo do Corinthians foi marcado pela baixa produtividade no ataque. Segundo dados do Sofascore, o Timão teve cinco finalizações, todas para fora. Já na segunda etapa, atrás do placar, o Corinthians aumentou o volume ofensivo e acumulou 13 chutes, exigindo apenas duas defesas do goleiro Gabriel Brazão.
“Eu acho que a gente teve uma terminação ruim hoje nos cruzamentos e um mau preenchimento de área. A gente não teve chances efetivas de gol. Tivemos também muita bola parada, sem conseguir converter nenhuma. Não teve nenhum lance de muito perigo. Tivemos oito escanteios, o Santos teve um só. Eles foram felizes na falta que cobraram. A gente poderia ter ido mais rápido para o rebote, o que teria evitado o gol, mas foi uma falta muito bem batida pelo Neymar e que acabou determinando o resultado do jogo”, opinou Diniz.
O Santos, por sua vez, chutou oito vezes – sete no primeiro tempo -, sendo três em direção à meta de Hugo Souza. Uma delas foi justamente o gol marcado pelo meio-campista Christian Oliva, que aproveitou o rebote em cobrança de falta de Neymar. A bola acertou a trave e encontrou Oliva livre na área, que só precisou tocar para dentro.
O responsável por marcar o meio-campista rival no lance era Rodrigo Garro. Na opinião de Diniz, no entanto, o argentino não foi o único culpado, mas toda a equipe foi desatenta no lance.
“No lance do gol, não foi só o Garro (que não teve atenção). Naquele lance, quando bate uma falta, o comportamento do time é todo mundo andar para trás, porque se tiver um rebote, tanto na trave, como se o goleiro defender, a gente está atento. Praticamente, ninguém voltou da barreira para trás. Onde a bola caísse, em outro setor, também poderia ter saído. Então, foi uma falha coletiva, porque ninguém acabou indo para o rebote”, analisou o técnico do Timão.
Momento pós-Copa do Mundo
A derrota foi a terceira seguida do Corinthians no Campeonato Brasileiro, algo que não ocorria desde 2018. A marca se soma ao baixo aproveitamento alvinegro no pós-Copa do Mundo, composto por quatro vitórias, três empates e quatro derrotas em 11 jogos.
Nesse montante estão inclusas a eliminação para o Internacional, nas oitavas de final da Copa do Brasil, e a classificação para as quartas de final da Libertadores sobre o Rosario Central, da Argentina. Para Diniz, o Corinthians não está demonstrando a mesma vontade que teve contra a equipe argentina nas competições paralelas, apesar de estar satisfeito com o desempenho técnico.
“Eu não acho que (os resultados) refletem o momento do time. Contra o Cruzeiro e contra o Coritiba, o time não jogou mal tecnicamente, mas está sendo insuficiente para ganhar os jogos. A gente tem que voltar a ter o interesse, a vontade e a gana que a gente teve nos jogos contra o Rosario. Contra o Rosario, tecnicamente, a gente não jogou melhor que nenhum dos três jogos que a gente perdeu. Mas no estado anímico, foi um totalmente diferente. Na questão de garra, de vontade, de representatividade dentro do campo, a gente teve muito mais. E eu acho que é isso que a gente precisa botar no Brasileiro. Não pode só em jogos da Libertadores. A gente tem que botar tudo junto, porque o Campeonato Brasileiro é muito importante para nós”, disse Diniz.
A arbitragem de Wilton Pereira Sampaio
Depois do apito final, o goleiro Hugo Souza reclamou da arbitragem e foi amarelado por Wilton Pereira Sampaio. O goleiro estava pendurado e não enfrentará a Chapecoense no próximo domingo, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Os protestos de Hugo Souza fizeram coro a comentários de corinthianos nas redes sociais, que reclamaram da falta de critério do árbitro goiano, que teria pesado mais a mão em lances favoráveis ao Santos do que ao Corinthians. Para Diniz, no entanto, a derrota é resultado exclusivamente do desempenho do Timão em campo.
“Para falar a verdade, eu estou evitando falar de arbitragem. Eu já falei, uma, duas vezes, uma vez eu fui denunciado por falar, mas eu não credito hoje a nossa derrota… não dá para a gente falar da arbitragem. Eu acho que a nossa derrota tem muito a ver com o que a gente fez e deixou de fazer no jogo“, finalizou Diniz.
Com a derrota, o Corinthians permaneceu na décima posição, mas viu a distância para o Z4 diminuir para sete pontos. Agora, o Timão terá uma semana de treinamentos para melhorar a situação no Campeonato Brasileiro. A equipe de Fernando Diniz recebe a Chapecoense no próximo domingo, às 19h30.






